SINPROF convoca greve para 26 de Abril

SINPROF convoca greve para 26 de Abril

A causa é a progressão na carreira pelo tempo de serviço e amanhã, Segunda-feira, 19, o SINPROF vai remeter a declaração de greve ao Ministério da Educação que, no entanto, quer promover apenas 43 mil agentes. Mas os homens do giz alertam que não haverá recuo: “Ou se promove 181 mil agentes, ou ninguém”

Os professores afectos ao Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) vão entrar em greve a partir do dia 26 de Abril, de acordo coma decisão saída da assembleia de trabalhadores realizada ontem, em Luanda.

O sector da Educação no país alberga 2.016 agentes, dos quais 181 mil reclamam por promoção.

Entretanto, o SINPROF diz que o Governo quer resolver o problema de apenas 43 mil e 220 agentes, remetendo os demais para outra fase não determinada. “Nós não confiamos nas mentiras do Ministério da Educação e transmitimos na reunião que tivemos no dia 14 de Abril que devem transitar todos ou ninguém”, declarou o sindicalista.

Admar Jinguma afirmou que no MED não há reforma estruturais sem que os professores recorram à greve e lamenta o facto de as soluções virem por esta via, sublinhando que nunca foi vontade dos agentes recorrem a este tipo de soluções.

Por regra, a efectivação da greve acontece três dias depois da sua declaração, mas o SINPROF disse ter dado oito dias a que Admar Jinguma chamou período de graça para que a tutela repense a sua posição antes de 26 Abril.

Mas adverte que esta decisão só será alterada com um compromisso ao mais alto nível, encabeçado pela ministra Luísa Grilo, em que se vai estabelecer um cronograma com datas especificadas, por alegadamente já estarem habituados “as fintas” do MED.

O secretário-geral do SINPROF sublinha que não se trata de uma reclamação para aumento salarial, mas sim a progressão na carreira como dita a lei, que deve ser feita de cinco em cinco anos.

Dois anos de negociação

O responsável sindical disse que negociaram “até exaustão” com o MED durante dois anos, sublinhando que a lei sindical estipula apenas 20 dias para o efeito. Por ser uma via legal e o “único recurso” encontrado pelos trabalhadores, Jinguma disse não haver outra alternativa para os seus associados.

“Desde sempre nos colocamos à disposição do Ministério da Educação para conversar em qualquer momento, nem que fosse às altas horas da noite ou finais de semana, desde que o objectivo fosse o alcance do consenso, mas nunca houve disposição do outro lado”, disse Admar Jinguma.

O SINPROF apela a direcção do MED a mudar de postura e a serem os primeiros a melhorar os problemas existentes no sector. “Mas parece que só querem manter os cargos e não mostram preocupação para que surjam as soluções”, disse.

“Os 43 mil agentes é só para abafar a greve”

Para o SINPROF, a proposta do MED visa apenas abafar a greve, o número proposto (43 mil e 220 agentes) são aqueles que não beneficiaram da transição do anterior Estatuto para o presente, de 2018, que contemplou apenas o tempo de serviço.

“Quem já era licenciado, em 2019, e estava no 6º escalão apenas foi passado para o 6º grau que na prática é mesma coisa, o que quer dizer que não teve nenhum benefício directo. São estes que fazem parte dos 43 mil que o Ministério quer promover agora”, disse Jinguma. O sindicalista disse que no sector da Educação não há promoções e para os restantes 138 mil agentes não se vislumbra uma a curto prazo, situação com que o SINPROF não quer se comprometer. “A classe está tão madura e decidida em reivindicar os seus direitos que não aceitar migalhas. Ou os 181 mil ou ninguém”, rematou.

Importa frisar que a greve deverá atingir os sub-sistemas de Ensino Pré-Escolar, Primário e Secundário do ensino público e público-privado.

Dumilde Fuxi