É de hoje…Colapso

É de hoje…Colapso

Têm sido vários os apelos feitos pelas autoridades sanitárias do país por causa do aumento de casos de infecção por Covid-19 que se vão registando nas últimas duas semanas.

Depois de uma aparente trégua de duas ou mais semanas, em que os números dificilmente ultrapassavam os três dígitos, Angola tem visto subir em espiral, sendo que neste Sábado se chegou aos quase 200 casos.

Ao longo de um ano depois dos primeiros casos, o país tomou medidas até então tidas como impessoais, muitas das quais não caíram no gosto de políticos, cidadãos comuns e outros intervenientes do nosso ambiente político, económico e social.

Mas, não obstante às críticas, ainda assim até às ultimas semanas a situação parecia estar controlada, merecendo elogios dos representantes das organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, assim como de outras representadas no país. Do lado das autoridades, era visível, inúmeras vezes, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, e o seu secretário de Estado, Franco Mufinda, elogiarem o comportamento dos cidadãos, em relação às medidas de biossegurança adoptadas.

Nesta última semana, o secretário de Estado já se manifestou preocupado. E não é para menos, principalmente nesta fase em que já se assiste à circulação comunitária da variante inglesa e sul-africana, por sinal mais contagiosas e, também, mortíferas.

Os responsáveis da Saúde acreditam que os cidadãos não estão a adoptar as medidas de segurança tal como o faziam no início. Luanda, a capital do país, afigura-se como um cancro em termos de desrespeito daquilo que pode ainda salvar milhares de vidas.

Um ano depois, os sinais são mesmo preocupantes, o que nos leva a concordar com as palavras de Franco Mufinda de que se se mantiver tal situação o sistema de saúde do país poderá colapsar. Infelizmente, habitamos num país em que as pessoas só levam a sério os conselhos quando alguma coisa lhes afecta directamente. Só assim se pode entender que muitos não façam da lavagem das mãos, uso de álcool em gel e o distanciamento, armas para o combate à doença que até ontem já havia matado no mundo mais de 3 milhões de pessoas.

Com mais de 24 mil casos de infecções e 500 mortes, assim como um exército de infectados, muitos dos quais se calhar nem desconfiam que estão neste estado, não há como não estar preocupado com o futuro de todos. É preciso que as autoridades intervenham no sentido de se disciplinar todos aqueles que fazem das suas vidas autênticas armas para os demais que procuram se proteger.

É uma pena que até ao momento muitos ainda nem sequer sabem o quanto sofre o Brasil, a Índia, Itália e outros países por causa da Covid-19.