Prevenção e monitoramento podem evitar ´desajustamentos´ em condutas de água

Depois de na tarde de Sexta-feira (16) ter-se registado um desacoplamento na conduta que transporta água bruta da Estação de Bombagem de Cassaque para o canal superior que alimenta as estações de tratamento de Luanda Sul e Sudeste, Kikuxi 1 e 2, o especialista em tratamento e estancamento de ravinas fala em trabalhos de cuidados antecipados nesse e noutros canais

O engenheiro civil Angelino Quissonde, cujo rótulo lhe é atribuído nas questões de tratamento e contenção de ravinas, recomenda que se comece a trabalhar na prevenção, monitoramento dos barrancos e das linhas de água, a fim de se conseguir, ainda na fase inicial, a identificação de pequenos sinais, pequenas erosões.

Segundo o especialista, esses procedimentos vão permitir que a sua reabilitação antecipada evite esse e outro tipo de transtornos.

“O monitoramento deve ser feito depois de cada chuva, porque, normalmente, a ravina começa com sulcos de erosões e ali onde já houver sinais ou sulcos, deve-se intervir, ainda que de forma rudimentar”, avisou Angelino Quissonde, tendo realçado que, se as ravinas já estiverem no estado avançado, em que as mesmas já se acham desacopladas ou com os colectores já rompidos, devem merecer uma intervenção com custos bastante elevados.

Acrescentou dizendo que, nesse contexto, os custos não se avaliarão apenas do ponto de vista económico- financeiro, mas também da economia geral, porque as pessoas ficam sem água, sem cuidar da sua higiene, da sua saúde e isso ajuda a proliferar doenças.

“Isso, de certa forma, cria ainda um esforço nos orçamentos dessas instituições que não estavam previstos”, asseverou o engenheiro civil, reiterando, por isso, que o melhor mecanismo de se resolver esta problemática era mesmo apostar na prevenção, por via de monitoramento, avaliação e inspecção regular.

Outra medida que o interessado no estancamento e na contenção de ravinas é, sobretudo, intervir, onde já houver.

“Pois, fazendo dessa forma, o Governo vai poupar dinheiro, vai poder abastecer sempre as populações com água potável, ajudando esses mesmos populares a aproximarem- se e acreditarem mais nas políticas das instituições do Estado”, frisou.

O entrevistado deixou patente que, para situações do género, quando não se tem água, tem-se uma aflição que submete os citadinos a não verem com bons olhos as instituições de um Estado que, a priori, devia ser sempre encarado como uma pessoa de bem.

Reconheceu, igualmente, que tais ocorrências priva as pessoas de um bem maior que é a água.

“A água e a energia são dos bens de mais necessidades diárias da população. Por isso, nós devemos abraçar as estratégias já avançadas, a fim de que não venham a acontecer danos semelhantes ou mais agravantes que privam de água uma população maioritária de uma cidade como é a de Luanda”, sublinhou o engenheiro civil.

Ravinas

Angelino Quissonde é de opinião que se crie uma equipa de acompanhamento do estado das obras feitas em espaços antes afectadas por grandes ravinas.

“Estou a falar, por exemplo, da ravina da Centralidade do Zango 8.000, em Viana, que privou os moradores daquela importante via, na mesma parcela de terreno; estou a falar da ravina que também privou os moradores da Centralidade do Sequele, em Cacuaco e do barranco da Centralidade da Vida Pacífica”, detalhou o interlocutor de OPAÍS.

Voltando a falar sobre a situação de desajustamento da conduta que, na semana passada, resultou no corte de água de quase todos os municípios da Luanda antiga (tirando Icolo e Bengo e Quiçama), ele asseverou que, praticamente, a cidade está sem água por causa do desacoplamento ou rotura de uma conduta de 1.200 milímetros que está a afectar as estações de tratamento de água de Luanda Sul, Luanda Sudeste, Kikuxi 1 e 2.

Importa referir que, para superar a avaria, uma equipa composta por responsáveis e técnicos das direcções de produção e engenharia estão a trabalhar no local, desde Sábado, 17, de acordo com uma nota exarada pela Direcção de Comunicação e Marketing da Empresa Provincial de Água de Luanda (EPAL-EP).