MPLA não descarta cenário de bicefalia em mais províncias

MPLA não descarta cenário de bicefalia em mais províncias

O secretário do Bureau Político para os antigos combatentes e veteranos da pátria, general Pedro Neto, afirmou, em Benguela, à margem da V Conferência Extraordinária, que o seu partido não descarta a possibilidade de estender para mais províncias um cenário de bicefalia, à semelhança da desconcentração ocorrida em Luanda, onde a governadora já não é 1ª secretária provincial do partido

Em declarações à imprensa, o político referiu que a decisão de transformar Luanda numa bicefalia não foi tomada de ânimo leve, mas esclarece que cada província tem a sua especificidade.

Neste sentido, este quadro do partido liderado por João Lourenço não descarta, porém, a possibilidade de as províncias com mais actividades económicas e sociais virem a conhecer, igualmente, “esta repartição de tarefas”.

“Começou por Luanda e, quiçá, outras províncias venham a viver esta situação”, refere.

Segundo analistas, cenários desta natureza de coabitação de duas figuras – sendo que uma se guia pelos estatutos do partido e a outra pelas prerrogativas constitucionais e legais – tende a gerar conflitos, a julgar pelo facto de o partido aprovar directivas às quais, em determinadas circunstâncias políticas, se deve subordinar o governador.

Entretanto, o secretário do Bureau Político para os antigos combatentes e veteranos da pátria, minimiza argumentando que o país tem de evoluir e uma decisão, como a que se tomou especificamente para a capital do país, visa tão-somente a melhoria de Luanda e foi analisada “muito aturadamente no seio do partido e o nosso Presidente acabou por decidir fazer a separação, com o objectivo de melhorar o desempenho, quer da governadora, quer do 1º secretário, porque sentiu-se que havia sobreposição de tarefas que resultavam no desempenho sofrível por parte dos quadros que estão no partido e no Governo”, esclarece.

Pedro Neto desmistifica a tese avançada por vários segmentos – sociais e políticos – segundo a qual a sua agremiação política estaria a recuperar “militantes da velha guarda” e, nesta perspectiva, sustenta que os partidos não diferenciam militantes da velha da nova guarda.

Os militantes, de acordo com o político, são utilizados em função dos momentos e das tarefas a desempenhar.

“Se nós decidimos utilizar, no caso vertente, o camarada Virgílio de Fontes Pereira, para a Assembleia Nacional como presidente do Grupo Parlamentar, foi porque analisou-se, estávamos em presença de um quadro do partido para desempenhar esta função. E vamos aguardar um bom desempenho”.

Em Benguela, por exemplo, há segmentos sociais que sugerem o regresso ao cenário de 2008, em que havia desconcentração de tarefas.

Ou seja, o governador, na altura Dumilde Rangel (de feliz memória), não acumulava com a função de 1º secretário.

Um membro do comité provincial sugeriu ao jornal OPAÍS, na condição de anonimato, à margem da V Conferência que confirmou Luís Nunes no cargo de 1º secretário, que o partido deveria pensar seriamente nesta possibilidade.

Na perspectiva da nossa fonte, Nunes ocupar-se-ia das tarefas da governação e o partido, neste sentido, indigitaria uma outra figura da tarimba de Rui Falcão para ombrear com Adriano Sapinãla nesta praça eleitoral.

Constantino Eduardo, em Benguela