É de hoje…Desgraças

É de hoje…Desgraças

Uma vez mais a chuva acabou por enlutar o país. A última enxurrada, que se abateu sobre Luanda na passada Segunda-feira, quase toda a manhã, transformou-se também na mais mortífera, tendo ceifado a vida de 14 pessoas.

À semelhança da última chuva, em que uma cidadã zungueira perdeu a vida por eletrocussão, desta vez mãe e filho tiveram o mesmo destino.

Longe das soluções que nos poderiam levar a não vermos os nossos irmãos, irmãs, filhos e outros parentes partirem, em consequência de males sanáveis, ainda gravitamos em encontrar os culpados por mais esta desgraça, quando se sabe que muitos dos cabos acabam soltos também por causa dos próprios populares que os arrancam para comercializarem nos mercados informais e nos pontos de venda fixados na periferia por cidadãos estrangeiros.

Desde o início da presente época chuvosa, mais de 20 pessoas perderam a vida, centenas ou senão mesmo milhares terão visto as suas casas inundadas, ruas alagadas e até pontes destruídas.

Preocupa-me o descaso em relação às causas visíveis que poderiam aliviar, sobremaneira, o sofrimento de alguns destes cidadãos angolanos, ficando patente que inúmeras vezes neste país o poder do Estado estivesse à deriva.

Foi sob o olhar silencioso de algum Lénine dos nossos tempos e de vários inquilinos do Palácio da Mutamba que vimos serem ocupados terrenos em locais impróprios, que serviriam para o escoamento de água, nos morros e noutros espaços proibidos sem que se fizesse nada.

Enquanto isso, do outro lado, outros ocupavam de maneira desenfreada dezenas ou centenas de quilómetros de terra sem que lhe consigam dar qual proveito. Felizmente, uma luz parece surgir no fundo do túnel para que se altere o quadro, com as recentes medidas adoptadas.

As administrações municipais e distritais deveriam jogar um papel preponderante nesta questão. Não permitindo, por exemplo, que os cidadãos a bel-prazer ocupem os espaços que impossibilitem a passagem das águas, tratar da manutenção dos postes de energia, assim como das valas de drenagem.