Federação dos sindicatos demarca-se da greve do SINPROF

Federação dos sindicatos demarca-se da greve do SINPROF

A Federação dos Sindicatos da Educação, Cultura, Juventude e Desporto e Comunicação Social demarcou-se, Terça-feira, 20, da greve marcada para 26 deste mês pelo Sindicato Nacional dos Professores. Segundo o seu presidente, José Joaquim Laurindo, apesar desta posição, os mais de 90 mil filiados são livres de aderirem ou não à iniciativa. O SINPROF, porém, refere que já era de se esperar uma posição desta natureza por parte daquela entidade sindical

José Joaquim Laurindo diz-se solidário para com a luta do SINPROF, uma vez ser esta a causa por que se tem debatido a federação, mas, no seu ponto de vista, o momento não é propício para tomar uma decisão desta natureza.

O líder sindical esclarece que, tal como o SINPROF, a Federação dos Sindicatos remeteu ao ministério de Luísa Grilo uma pauta reivindicativa, nos termos da qual se reclama a melhoria de condições sociais dos professores. Não havendo, contudo, aquilo a que chama de resposta salutar, esta transformar- se-á de pauta em caderno reivindicativo.

“Estamos a negociar com a entidade empregadora e essa negociação tem alguns resultados. Nós pedimos uma coisa e eles pedem outra, mas não estamos a sair a perder abaixo de 50%. Quando é assim, na nossa opinião, e nas negociações nunca se tem a 100%. É razoável, vamos continuar”, refere.

De acordo com José Laurindo, reclama-se de muitas condições para os professores, entre as quais promoções com base no tempo de serviço e subsídio de isolamento para quem trabalha fora da sua localidade, mas o essencial, na verdade, não é isso. O que se pretende, sim, é uma mudança significativa do quadro social dos trabalhadores, uma vez que os salários, nos dias de hoje, perderam “totalmente” o poder de compra.

“Há salários médios que nem cobrem a cesta básica, quando esta devia ser 30 a 40% do salário mínimo de um cidadão”, justifica. E declara que não é partindo para greve que se vai resolver este problema ao qual chama de conjuntural.

“Por mais que as pessoas pensem estar em greve, vão se cansar, porque se o Governo não tiver onde cavar dinheiro não vai dar”, considera.

Na perspectiva do responsável, a luta dos sindicatos, independente da área de actuação, deve passar, obrigatoriamente, por pressionar a entidade patronal, neste caso o Governo, a dar um salário digno aos trabalhadores na sua globalidade. “Todos os outros trabalhadores se não tiverem salários dignos, não vão ter o que dar aos seus filhos”, sustenta.

SINPROF denuncia intimidação

O secretário provincial do SINPROF em Benguela, Domingos Manuel, denunciou, em entrevista ao jornal OPAÍS, que muitos dos seus filiados estão a ser vítimas de intimidação por parte de alguns responsáveis da repartição municipal da Educação na Baía- Farta e de outros sindicatos.

De entre as ameaças reportadas, segundo Domingos, ressalta-se a marcação de faltas a quem venha a decidir paralisar as suas actividades na próxima semana.

Em relação à posição manifestada pela Federação dos sindicatos, Domingos compreende, tendo argumentado, pois, que, em todas as decisões de greve, aquela entidade sindical se posicionou sempre ao lado do Governo.

“Isso é normal, já prevíamos essa situação. Isso é boicote. Nós dissemos aos professores “não temam, apenas devem cumprir o que SINPROF disse, porque aqui não está em causa a violação de nenhuma lei”.

“Nós estamos de pé firme. Que fique muito bem claro, o SINPROF não está a negociar em bloco”, esclarece, tendo revelado que as negociações com o Ministério da Educação remontam desde Outubro de 2020.

Constantino Eduardo, em Benguela