Grelha Discursiva –Operacionalização Sociolinguística

Grelha Discursiva –Operacionalização Sociolinguística

A operacionalização do discurso no prisma da sociolinguística estabelece- se entre o acto da fala e o acto da prática. Toda grelha discursiva desarticulada da sua operacionalização, provavelmente, não produzirá efeitos de mudanças progressistas. Pois que, se o sujeito discursivo, por acaso, violar os preceitos da prática por meio da fala, ou vice-versa, a sua materialização, obviamente, será geradora de efeitos adversos. Por exemplo, por razões óbvias, não se pode esperar que o discurso opere mudanças no combate à corrupção quando as mesmas máscaras “pessoas” sistemáticas desfilam de mãos dados com o Estado. Entendemos de que discursar não é falar, simplesmente, o que as pessoas querem ouvir. É fazer, necessariamente, o que as pessoas precisam. Portanto, o discurso é a prática que se quer na realidade de forma extensiva e coerente.

Numa perspectiva histórica, o mesmo é também um suporte paraliterário que sustenta os ideais dos distintos grupos existenciais. A sua estrutura discursiva é extensiva aos diferentes pensamentos ideológicos. O discurso precisa, necessariamente, ser interpretado, fundamentalmente, como objecto linguístico.

Discursar subentende grelhas de leituras que congregam variadíssimas dimensões que concorrem para o êxito do discurso enquanto palavra em acto. Porém, ao tratarmos do discurso e sua operacionalização sociolinguística, é prudente que se diga, desde já que, o mesmo é catalisador de efeitos de sentidos entre os locutores. A sua operacionalização pressupõe prática-coerente em que as lentes cognitivas filtram o que é necessário ser dito como acto em prática partindo do contexto e da realidade existencial. Por exemplo, se formos discursar sobre o combate à pobreza temos de ter em conta a operacionalização sociolinguística para que não firamos os sujeitos receptivos.

Ao analisarmos o discurso estaremos, inevitavelmente, diante da retórica de como se relaciona com a situação que o criou e a sua capacidade de adaptação às realidades numa correlação entre a língua e o contexto. Porém, necessitamos compreender que o discurso como objecto cultural é produzido, também, a partir de variantes históricas, substancialmente, condicionadas pela dialéctica ideológica. Daí que, no quadro sensorial angolano, dentro da percepção psicocultural e psicossocial, a palavra adversário “quase que” não existe por razões históricas.

Hoje, a pesquisa-discursiva precisa de coabitar o estudo ao conhecimento, subsquentemente, à conceptualização, à metodologia, à observação, ao pragmatismo, sobretudo, aos mecanismos articuladores entre o discurso e sua operacionalização sociolinguística. Daí que, se OGE não alocar verbas suficientes para que aposta na agricultura seja de facto, neste caso, haverá um contra-senso discursivo entre a fala e o acto.

Na perspectiva da Linguística “semântica”, os subentendidos do discurso funcionam como mecanismos de livre arbítrio de interpretações aleatórias. Outrossim, o sujeito discursivo tem de ler o não dito no enunciado; e as interpretações que possam advir entre o dito e o não dito. Portanto, não é simplesmente o conteúdo em si, isto é, o que se fala, mas o que se queria falar.

Assim sendo, o discurso é em si uma manifestação linguística inerente às realidades dicotómicas do contexto. A prior, todo discurso parte de pilares ideológicos, de determinados segmentos sociais, em função dos modus operandis em que é construído. A sua a postura existencial só terá razão de a ser quando for em acto. Por exemplo, é necessário que o discurso sobre a qualidade de ensino se reflicta na prática.

Por: Hamilton Artes