ONUSIDA e Clube de Médicos prestam assistência às reclusas da cadeia de Viana

ONUSIDA e Clube de Médicos prestam assistência às reclusas da cadeia de Viana

Duzentas e 57 mulheres internadas no estabelecimento penitenciário de Viana, em Luanda, beneficiaram, recentemente, de assistência médica e medicamentosa promovida pelo Clube dos Médicos, em parceria com a ONUSIDA

Honolfo Elvis Simões, presidente desta agremiação profissional sem fins lucrativos, disse, ao jornal OPAÍS, que além das pacientes acima mencionadas atenderam cinco crianças com idades até 3 anos que se encontram lá internadas com as suas progenitoras.

Para satisfazer a procura, foram destacados no local 25 profissionais de diversas áreas que realizaram consultas de ginecologia e obstetrícia, cardiologia, estomatologia, clínica geral, pediatria e psicologia.

Para complementar as consultas, as pacientes fizeram testes de malária, VIH, urina, hepatite B e glicémia em função dos sintomas de doença que cada uma apresentava. Assim, foi possível determinar com precisão as patologias, sendo que as de maior realce são a hipertensão arterial, infecções vulvovaginais e outras do tracto urinário.

“As pacientes estão a ser acompanhadas por nós, o Club dos Médicos e a ONUSIDA, e decidimos apadrinhar a penitenciária feminina. Iremos sempre, dentro das nossas possibilidades, acompanhar estas mulheres nas distintas especialidades médicas”, garantiu, acrescentando que “passaremos a realizar visitas médicas mensais às reclusas e sempre que precisarem estaremos disponíveis para avaliação”.

Honolfo Simões disse que, apesar de o referido estabelecimento penitenciário ter um posto de saúde devidamente equipado, a partir desta semana algumas delas passarão por determinadas unidades de saúde onde os seus filiados estão destacados para fazerem alguns exames complexos nas áreas de cardiologia e de ginecologia-obstetrícia.

“Foi muito emocionante estar aí na cadeia feminina. Fomos muito bem recebidos e as pacientes se mostraram muito agradecidas. Saímos de lá com o coração cheio.

Foi muito lindo lhes ter ajudado, muito emocionante mesmo”, frisou.

Explicou que essa iniciativa surgiu na sequência de uma visita que o representante da ONUSIDA em Angola, Michel Kouakou, realizou à Comarca de Viana, nas alas masculinas e femininas, e constatou a carência de alguns serviços de especialidade. Ao tomar conhecimento da situação, o Clube dos Médicos, como parceiro desta organização internacional em programa de testagem de VIH e de assistência médica e medicamentosa, mobilizou especialistas de diversas áreas para concretizar mais uma acção de solidariedade para prestar assistência médica especializada às reclusas.

Para o efeito, a ONUSIDA encarregou- se de garantir os meios logísticos, entre os quais os medicamentos para que as pacientes pudessem combater as suas enfermidades sem esperar por apoio dos externos. Os médicos contaram também com o auxilio do grupo Believer, que doou alguns materiais e sensibilizaram as mulheres da penitenciária.

Quanto à escolha da ala feminina, o presidente do Clube dos Médicos disse que assim ocorreu porque a actividade estava inicialmente enquadrada nas festividades do mês dedicado às mulheres, o Março, mas acabou sendo adiada para este mês, por razões alheias à sua vontade. “Pretendemos realizar nos próximos tempos na ala masculina também”, frisou.

Esta é a primeira vez que esta associação de profissionais de saúde realiza uma actividade do género num estabelecimento penitenciário.

Penitenciária com posto de Saúde “bem equipado”

Segundo o interlocutor, a penitenciária possui um posto médico “muito bem apetrechado”, cujo trabalho é assegurado por uma equipa de “profissionais atenciosos e muito humanistas”.

“A comandante da penitenciária, superintendente Suzeth Aguiar, é muito atenciosa e tem uma equipa super-exitosa. Não encontramos problemas graves na cadeia, o que mais se viram foram doenças crônicas que as reclusas tinham antes mesmo de lá irem”, frisou, detalhando que o posto possui uma área de internamento e até existe uma creche para as crianças que nascerem no recinto prisional.

O médico Honolfo Simões disse que a creche da cadeia de Viana presta às crianças e suas progenitores um serviço de elevada qualidade, observando os padrões recomendados internacionalmente.

“As pessoas se perguntam como é possível ter bebé na penitenciária. É muito normal. Se, por exemplo, uma mulher comete um crime estando grávida, ela é privada da liberdade, mas não deixa de ser acompanhada e pode dar à luz no hospital do estabelecimento prisional”, disse. Acrescentou de seguida que, “por ser mãe e tem de amamentar, pode estar com a bebé até os dois anos, isto se gozar de boa sanidade mental. A penitenciária cria as melhores condições para os bebês e as mães”.

Por outro lado, Honolfo Simões aproveitou para agradecer o Ministério do Interior, ao Grupo Medianova, Associação Luzolo Yetu, ao grupo Believer e a todos os envolvidos na causa. “Queremos aproveitar agradecer a Medianova que tem sido nosso parceiro também nas actividades comunitárias e tem ajudado a levar educação sanitária às populações que não têm acesso”, rematou.