PR diz que bases para restabelecimento da paz na RCA estão lançadas

PR diz que bases para restabelecimento da paz na RCA estão lançadas

O Presidente da República, João Lourenço, destacou, ontem, em Luanda, que o diálogo transparente, franco e aberto serve de lançamento das bases para o restabelecimento de uma paz e estabilidade política e social da República Centro Africana

Falando na qualidade de Presidente em exercício da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos(CIRGL), durante a 2ª Cimeira de Luanda sobre a Paz e Segurança na República Centro- Africana, sublinhou que a estabilidade não beneficiará só a República Centro Africana mas também a sub-região dos Grandes Lagos e da África Central, que se quer ver livre de conflitos armados.

Segundo o estadista angolano, os grupos armados diluem o tecido social, destroem as infra-estruturas e criam instabilidade política e económica no nosso continente.

Nesta senda, segundo João Lourenço, o encontro de ontem constituiu mais uma oportunidade para reiterar, com toda firmeza, a rejeição desta realidade de conflito permanente na sub-região.

“Na nossa qualidade de Chefes de Estado, assumimos a missão de defender a Paz, a Segurança e a Estabilidade dos países que a integram”, declarou.

Segundo o líder da CIRGL, desde a Cimeira de 29 de Janeiro, a República de Angola e a República do Tchad multiplicaram diligências no sentido de persuadir os líderes das facções rebeldes a renunciarem à luta armada como via para dirimirem diferenças, seja de que natureza forem.

“Foi possível demonstrar-lhes que o recurso à guerra não favorece a solução genuína de objectivos políticos, cujos efeitos vão muito para além do fim efectivo do conflito”, disse.

Informou que se está perante a possibilidade de se definir um quadro no âmbito do qual se deve pôr em acção os mecanismos de implementação dos entendimentos alcançados com a oposição armada.

Este grupo de partidos armados, segundo o Presidente da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos, aceitou abandonar a via da guerra para participar na materialização de um “processo sério de Desarmamento, Desmobilização, Reinserção e Reintegração”.

Com esta intenção, João Lourenço acredita estarem reunidas, a partir deste momento, as condições para se iniciar uma nova fase das acções de pacificação da República Centro Africana.

Neste novo período, o governo legítimo liderado pelo Presidente Archange Touadéra terá o papel crucial na condução de todos os actos que levem à concretização efectiva das disposições estipuladas no Acordo de Cartum.

“Estou convencido que o interesse e o engajamento com que os países da região se empenharam neste esforço de resolução do conflito na República Centro Africana não se vai alterar, para que se possa não só funcionar como garante da observância dos compromissos assumidos pelas partes, como também contribuir com os meios ao alcance de cada um, no sentido de se assegurar a sustentabilidade da paz”, assegurou.

Resolução de conflito

Indicou que a única motivação que está na base de todas as diligências efectuadas até aqui pela presidência em exercício da CIRGL e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) é a de contribuir para a resolução definitiva do conflito, salvaguardando sempre e sem quaisquer hesitações, a paz, a estabilidade, o progresso social e o desenvolvimento económico da República Centro Africana.

“Que fique claro aos olhos do povo da República Centro Africana”, sublinhou o Presidente da CIRGL. João Lourenço disse que foi dado “um passo importante mas não o derradeiro”, garantindo que muitos outros passos devem surgir, ressaltando que é uma oportunidade que as partes não devem desperdiçar.

“Fazemos um apelo vibrante às forças rebeldes e à oposição civil para agirem de boa-fé, correspondendo ao gesto de boa vontade que o Presidente Touadéra continuará a fazer”, declarou.

Nesta Cimeira, João Lourenço disse ainda ser importante que doravante todos os actores, tendo à cabeça o Presidente Archange Touaderá, com o apoio da CIRGL, da CEEAC, da União Africana, trabalhem em sintonia no estabelecimento de um roteiro claro.

“Que esteja enquadrado no espírito das Resoluções das Nações Unidas e garanta o diálogo e a concertação permanentes com os actores políticos e a sociedade civil, no intuito de se dinamizar o acordo de Cartum”, sublinhou.

No seu discurso, afirmou ainda que a liderança deste processo deve ser assumida pelo próprio país, a República Centro Africana, e deverá contar com o apoio da CIRGL e a CEEAC, dando-lhe todo o apoio necessário para o sucesso deste desafio, que acredita estar cada vez mais próximo do seu feliz desfecho.

Levantamento de embargo

Defendeu que diligências devem ser feitas junto dos países membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a favor do levantamento definitivo do embargo de armas, que impende ainda sobre este país.

Finalmente, João Lourenço augura que as decisões desta Cimeira produzam efeitos práticos, que resultem na melhoria da situação actualmente vigente na República Centro Africana, almejando uma nova era de paz, estabilidade e de prosperidade para os povos de toda sub-região.

Homenagem a Idriss Déby Entretanto, nesta Cimeira, em que participaram os presidentes Denis Sassou Nguesso, da República do Congo e Presidente em exercício da CEEAC, Paul Kagame, Presidente da República do Ruanda, Faustin-Archange Touadéra, Presidente da República Centro Africana, e representantes de Chefes de Estado, foi marcada com a surpreendente notícia da morte, em combate, do Presidente da República do Chade, a quem foi rendida uma homenagem.