É de hoje…um minuto de silêncio

É de hoje…um minuto de silêncio

As mais de 10 pessoas apresentadas inicialmente como tendo morrido em consequência de das chuvas que caíram sobre Luanda, na última Segunda-feira já haviam gerado uma certa comoção, sobretudo pelo facto de ter sido causas que poderiam talvez ser evitadas.

Ontem, durante a apresentação de novos dados, ficou-se a saber que afinal morreram 24 pessoas, uma cifra demasiado pesada para aceitarmos. Depois da tragédia de há uns anos em Benguela, em que mais de 60 pessoas morreram, acreditávamos voltar a ver no país vítimas em números tão consideráveis como os que nos foram evocados. Ao lado de alguns adultos que viram as suas vidas terminarem estavam nove crianças, ainda na flor da idade, sem, no mínimo, puderem realizar os sonhos idealizados com régua e esquadros e outros até enfatizados em pequenos rabiscos. Estamos certos de que a chuva, como tem sido musicado e marcado a nível da literatura, continua a ser obra da natureza. Deveria ser uma benção numa fase em que milhares de cidadãos em Luanda e no resto do país clamavam pela sua presença para que regasse os campos e consequentemente possibilitasse o surgimento mais alimentos, até para matar a fome que incessantemente persegue milhares de cidadãos nossos no Sul do país. O país está de luto. Uma vez mais, à semelhança das outras mortes que ocorreram, por consequências naturais ou não, ao longo dos últimos tempos.

Como frisamos ainda ontem, quando pensávamos se tratar de 14 vítimas, um número por si só doloroso, de nada adiantará nesta fase encontrar culpados. Sou daqueles que defende que o ideal é olhar-se para as condições que devem ser criadas para que muitos dos sinistrados sejam afastados das zonas de risco.

Com uma extensão de um um milhão 246 e 700 quilómetros quadrados, não há dúvidas de que numa distribuição justa de terras cada angolano teria direito ao seu quinhão onde poderia erguer o seu casebre ou mansão sem colocar em perigo a vida dos fi lhos e outros parentes.

Depois do incidente de Benguela, há alguns anos, torna-se imperioso que se adoptem medidas concretas. Claro que algumas vão sendo tomadas, entre a política e a concretização há um hiato que se não diminuído poderá testemunhar, no futuro, ao desaparecimento de outros cidadãos que muita falta farão a este país quase desértico se tivermos em conta a sua extensão. Lembro-me de após os acontecimentos de Benguela, a Procuradoria-Geral da República ter emitido um comunicado em que solicitara que se envidasse esforços no sentido de se afastar os cidadãos, em Luanda e noutros pontos do país, que residiam no sopé dos montes para serem transferidos noutras áreas mais seguras. Apesar de algumas críticas na altura, o processo de transferência dos populares da Boavista para o Zango terá sido um dos maiores projectos de assentamento feito neste país, com consequências positivas hoje tendo em conta o crescimento que se observa neste nova ‘metrópole’ de Luanda. Para outros bairros de Luanda, Benguela, Huambo e pelo país adentro poderiam ser implementados projectos semelhantes, deixando aos beneficiários posteriormente alguma responsabilidade na conclusão daquilo que seriam algumas infra-estruturas de que venham a beneficiar. Nesta fase, o que muitos certamente buscam é um tecto em que possam dormir com segurança, sem receios de que uma chuva lhes possa levar para sempre um parente.