População queima dois marginais no bairro 28 de Agosto

População queima dois marginais no bairro 28 de Agosto

Dois cidadãos foram queimados na madrugada do dia 21, no bairro 28 de Agosto, no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, pela população por, supostamente, estarem envolvidos em assaltos no referido bairro

Em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, o presidente da comissão de moradores do quarteirão 12, do bairro 28 de Agosto, Carlos Mualhiuca, onde ocorreu a queima, confirmou que os seus moradores tomaram essa atitude devido às constantes ondas de assaltos que aí acontecem.

Esta não é a primeira vez que algo do género acontece, salientando que na semana passada, no bairro vizinho (Simione), também queimaram um jovem após ter assaltado alguém. Já no bairro 28 de Agosto, com estes dois, teve de fazer a ocorrência e procurar saber os motivos. Segundo os munícipes, os mesmos praticavam assaltos na via pública, andavam com armas de fogo, facas e assustavam todos que ali passavam. Cansados disso, a população tomou a decisão de queimá-los.

“Aqui, praticamente os meliantes se tornaram os donos do bairro e por causa disso ninguém mais aceita arrendar uma casa nesta redondeza. As senhoras que vendem no mercado dos Cajueiros não têm sossego. De momento, os meliantes estão a destruir o negócio das mesmas”, explicou.

Carlos Mualhiuca disse que como presidente da comissão de moradores, sozinho, não consegue defender, sublinhando que no mesmo dia, antes de os marginais serem queimados, por volta das 16 horas, se deparou com dois meliantes nas mãos da população, já amarrados e prestes a serem queimados.

Entretanto, pediu aos populares que não tomassem tal atitude, porque ninguém está autorizado a matar, sugerindo que os mesmos fossem levados à esquadra da Polícia, mas o povo rejeitou a ideia.

Teve de recorrer à Polícia e a um amigo, também polícia, que chegou a tempo e fez um disparo para dispersar a população. Os marginais foram encaminhados à esquadra do comando do Projecto Nova Vida.

“Agora, na madrugada (1h:30) de hoje (ontem) é quando acontece isso. Alguém ligou-me a dizer que dois indivíduos estavam a ser queimados no meu quarteirão. Tentei ligar ao comandante Jorge, da 32ª do distrito, mas não atendia. Afinal estava numa outra área a socorrer outros jovens que estavam também a ser queimados. Até que a Polícia chegou, foi tarde demais”, lamentou.

Marginais são jovens do bairro

Carlos Mualhiuca reprova a atitude dos cidadãos, uma vez que ninguém está autorizado a tirar a vida a outrem. “Pronto, são marginais, mas nós não temos o direito de matar. O que devemos fazer é prender e levar à Polícia, porque a Comissão de Moradores é um órgão informativo, anota as ocorrências e informa a Polícia que, por sua vez, deve prender e mandar para o Ministério Público”, disse.

Por outro lado, reconheceu que os marginais são mesmo os jovens do bairro e que, há três meses, reuniu-se com todos os jovens meliantes do bairro para os pedir que deixassem de praticar tais actos, pelo que alguns acataram.

“Os mesmos disseram que tudo tem a ver com o desemprego. disseram que se tivessem emprego poderiam deixar tais práticas. Na altura, falei com a administradora, Joana Bernardo, no sentido de arranjar 20 vagas para formação e a mesma aceitou”, confidenciou.

Conta que os jovens, depois da formação, foram empregados nas obras do PIIM, mas depois de uma semana abandonaram, porque queriam que o pagamento fosse diário e não mensal.

Depois daí, como nos conta, os jovens decidiram destruir as casas de chapa das famílias mais vulneráveis e levaram os bens valiosos dessas pessoas. “Voltei a falar com eles e estavam inscritos num campeonato aqui no bairro, mas também abandonaram e, agora, uniram-se com os meninos do bairro do Cazenga”, contou.