Sodiam nega imposição de preços na comercialização de diamantes em Malanje

Sodiam nega imposição de preços na comercialização de diamantes em Malanje

Ao ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, os operadores mineiros da província de Malanje apresentaram como principais preocupações o mau estado das vias de comunicação, com maior destaque para as estradas nacionais e o acesso ao financiamento bancário

O presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam), Eugénio Bravo da Rosa, negou nesta Terça-feira, 20, haver imposição de preços na comercialização de diamantes, defendendo que as negociações são feitas, sempre, na base do que está legalmente tipificado.

O responsável fez estes pronunciamentos durante o encontro do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (Mirempet) com os operadores mineiros da província de Malanje, onde o representante da cooperativa Rainha Nzinga Ndango, Armindo Comba, mostrou a insatisfação dos seus associados sobre os preços em que são vendidos os diamantes.

Este interlocutor disse que “num lote de 800 quilates, por exemplo, com pedras especiais no valor de 250 mil dólares, a comercialização é feita a 80 mil dólares”, valor que considera muito aquém das expectativas dos operadores.

Solicitado, pelo ministro Diamantino Azevedo, a esclarecer aos presentes sobre a modalidade aplicada para se definir o preço das produções, o presidente do Conselho de Administração da Sodiam, Eugénio Bravo da Rosa, informou que a definição do preço resulta de um trabalho conjunto entre os operadores, a Sodiam e o avaliador independente.

“Em função do preço de cada um, faz-se a negociação e chega- se a um acordo para a venda da produção”, explicou Eugénio Bravo da Rosa. Em caso de não se chegar a um acordo com o operador, disse, este é solicitado a apresentar um cliente internacional que possa pagar a produção ao preço da cooperativa.

Negando haver qualquer acção da empresa que dirige para impor o preço da produção dos operadores mineiros, o responsável assegurou que tudo tem sido feito com base na legalidade.

Ademais, Diamantino Azevedo reforçou que “todos nós queremos ganhar muito, mas é preciso que isso seja reflectido na qualidade de produção dos diamantes”.

Em relação ao ressurgir dos proprietários das casas de venda ilegal de diamantes, comumente conhecidos como “boss”, e que tinham sido extintas no âmbito da Operação Transparência, o ministro rebateu que, em Angola, apenas a Sodiam tem autorização para a compra da produção das cooperativas.

“Não queremos voltar ao cenário que tivemos no nosso país”, rematou.

Degradação das estradas dificulta actividade mineira

Outra situação bastante reclamada durante o encontro foi o péssimo estado das vias de acesso às zonas de produção mineira na província de Malanje.

O director do projecto Mucuanza, José Soares, disse que as estradas, principalmente as nacionais, constituem um grande empecilho para o fornecimento de materiais, entre os quais o combustível, que os transportadores chegam a rejeitar o serviço para não deteriorar os seus meios. O mesmo assunto foi reforçado pela Cooperativa Rainha Nzinga Ndango, na voz de Armindo Comba, que solicitou, igualmente, a intervenção urgente do Estado para se ultrapassar a situação. Por outro lado, os operadores pediram ao Mirempet que intervencione na relação com os bancos comerciais, para sanar as dificuldades no acesso ao crédito.

Sobre esta questão, Diamantino Azevedo adiantou que não promete que o Estado irá financiar as cooperativas.

Porém, “quando pedimos que as cooperativas se organizem, é para facilitar que as instituições financeiras apoiem, o que só poderá ser feito quando actuarem de acordo à lei”, apelou.

Dumilde Fuxi