É de hoje…As verdades do Paulo

É de hoje…As verdades do Paulo

O debate de ontem na Assembleia Nacional esteve centrada na discussão sobre as actividades que vêm sendo desempenhadas pelos órgãos de comunicação social no país, com enfase para os públicos.

É sem sombra de dúvidas de que há muito por se fazer neste campo, sendo a própria imprensa também reflexo dos vários interesses existentes, alguns políticos e outros empresariais. Nos tempos que correm, em que alguns endinheirados vêem-se até acossados pela força da justiça, não há dúvidas de que existam aquelas empresas jornalísticas que se vão situando de algum modo naquele lado em que exercer a pressão sobre os pretensos argozes é uma divisa.

Tal como o processo que se vive noutros domínios, acreditamos que a comunicação social também vai dando alguns sinais, embora persistam nuances que levantem preocupações aos mais cépticos.

Mas não será ainda sobre o sector a que pertencemos que nos iremos pronunciar hoje, apesar da pertinência que o próprio assunto encerra. Durante a discussão ontem, no Parlamento, o político, deputado e sociólogo Paulo de Carvalho levantou uma questão pertinente que vai ocorrendo nos últimos anos: a divulgação de sondagens e supostos inquéritos.

Conhecedor do mercado, onde durante largos anos se afirmou, dando subsídio aos mais variados órgãos de comunicação, o professor universitário garantiu mesmo que muito do que se tem publicado é feito de forma atabalhoada, deixando transparecer a inexistência de qualquer cientificidade nos referidos estudos.

Com o aproximar das eleições, não há dúvidas de que irão aumentar significativamente as publicações de tais sondagens, muitas das quais com amostras duvidosas e margens de erro quase que inexistentes, o que poderá servir igualmente de mote para desavenças num cenário em que muitos que vêm sendo apontados como supostos melhores não aceitem caso os seus prognósticos não forem concretizados.

Sabendo-se do rigor de Paulo de Carvalho, o homem que enquanto reitor tentou travar, sem sucesso, no tempo da outra senhora, algumas acções negativas que observara na Universidade Katiavala Buila, estou certo de que, mais palavras ou menos, não estará longe do pensamento de que alguns estudos estejam a vender autênticas ‘banhas de cobra’.

Quem fala de política, fá-lo-á também em relação aos estudos noutros domínios, especialmente o económico, o que tem originado com que até mesmo instituições com pouca credibilidade a nível do país sejam apresentadas como as melhores do sector. Qualquer dia, consoante as possibilidades, não haverá sequer pejo para que cada um encomende o seu estudo e apareça mencionado posteriormente como sendo o melhor num determinado ramo. E a resposta dos outros não deixará de ser icónica: ‘Eu também sou o melhor’.