Governo de Benguela à procura de dinheiro para regularizar rio Coporolo

Governo de Benguela à procura de dinheiro para regularizar rio Coporolo

O governador provincial de Benguela assegurou às autoridades tradicionais que está empenhado na captação de recursos financeiros para a continuidade de construção de diques na perspectiva de regularizar o rio Coporolo, de modo a evitarem-se constrangimentos em época chuvosa. Luís Nunes avisa, porém, que não promete aquilo que não pode fazer

De acordo com as autoridades locais do município da Baía-Farta, o transbordo do rio, em época chuvosa, tem vindo a causar enormes constrangimentos aos camponeses e a moradores nos arredores, porque a falta de regularização, tem concorrido para que a água siga qualquer curso, acabando, muitas vezes, por devastar culturas agrícolas e residências.

Aliás, foi justamente a pensar nesta realidade que o governador se moveu do Palácio cor-de-rosa, à praia Morena, ao município da Baía-Farta, para constatar in locus e receber as explicações técnicas que se impunham.

Guiado pelo soba Domingos Francisco, o governador de Benguela percorreu parte do perímetro de um rio cujo vale agrícola conta com 10 mil hectares de terras a necessitar de uma intervenção urgente, segundo o guia de Luís Nunes. “Quando chove, passamos por muitas dificuldades, os bairros aqui ficam inundados. Nós pedimos ao senhor governador para resolver este problema”, reportou o mais-velho Francisco, numa curta declaração à imprensa.

Ao soba, Luís Nunes disse, porém, que não prometia aquilo que não pode fazer, tendo assegurado estar à procura de financiamento para se ultrapassar um problema que tem vindo, em certa medida, a preocupar grande parte dos moradores da comuna do Dombe- Grande. “Eu não prometo aquilo que não posso”, reconhecendo, de momento, incapacidade financeira para o efeito.

O governante declarou ao soba que tão logo o seu governo disponha de condições financeiras para a empreitada comunicar-se-á às autoridades locais.

Governo quer exploração de areia no Coporolo para nivelar o rio

Em declarações à imprensa, o vice- governador provincial para os serviços técnicos e infra-estruturas, Adelany Adilson, lembra que, em 2007, quando se procedeu ao trabalho de regularização dos rios Coporolo e Cavaco, se tinha construído apenas dois quilómetros de diques de protecção, à montante da ponte sobre o rio.

Passados poucos mais de 13 anos, segundo o governante, o rio voltou a assorear e, logo, a escapatória de água passou a ser para vila.

“Nós vamos agora pegar o processo, nos moldes estruturais, reavaliar o projecto, tal como tinha sido concebido antes. Mas, por outro lado, nós estamos a desenhar um processo de concessão de areia, para, a nível da província de Benguela, possamos ter o nível de assoreamento controlado, através dessas concessões”, esclarece.

Questionado pelo jornal O PAÍS sobre quanto é que o Governo Provincial de Benguela precisaria para executar uma empreitada daquela dimensão, em termos de orçamento, o vice-governador respondeu que, estando na fase de concessão, se tornaria prematuro avançar o tecto financeiro de que se precisa, mas promete fazê-lo oportunamente.

Saliente-se que, recentemente, conforme tínhamos noticiado, vários agricultores no Dombe-Grande se queixavam da destruição de várias culturas em consequência das cheias, apelando, por isso, a necessidade urgente de se regularizar o rio Coporolo.

Constantino Eduardo, em Benguela