4 mil e 700 milhões de kwanzas a fundo perdido para famílias do Andulo

4 mil e 700 milhões de kwanzas a fundo perdido para famílias do Andulo

O município do Bié começou ontem o processo de transferências monetárias do Executivo para famílias vulneráveis. Ao fim de quatro trimestres, cada beneficiário terá recebido Kz 100 mil. O Andulo é, até agora, o maior contribuinte com famílias pobres: são 47 mil

O Fundo de Apoio Social (FAS) deu, na manhã de ontem, no Andulo, província do Bié, início à sua maior operação, até agora, no âmbito do Kwenda, um programa de transferências sociais monetárias do Executivo angolano destinado a acudir as famílias mais vulneráveis. O acto teve as presenças de Pereira Alfredo, governador da província, e de Belarmino Jelembi, director-geral do referido fundo, além da administradora municipal, Celeste Adolfo e de cerca de uma centena de populares.

Até ontem estavam cadastradas 42 mil e 832 famílias, das 47 mil projectadas, residentes em 245 aldeias da municipalidade e já visitadas por 103 ADECOS (Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Social), que, nas palavras de Rizone Chivembe, director do FAS no Bié, enfrentaram no seu trabalho desafios comos as chuvas, as acessibilidades deficientes, ou quase inexistentes, e ainda a hostilidade e incompreensão de muitas pessoas. Mas o trabalho, disse, valeu a pena. “Conhecemos cada um dos nossos beneficiários”.

O ADECOS são o ponto de contacto com as comunidades para a sua informação, sensibilização, cadastramento e orientação sobre como receber o dinheiro e para a sua aplicação. Pereira Alfredo apelou ao carinho aos ADECOS, ao mesmo tempo que desejou que a província se afirme como um exemplo de sucesso do programa Kwenda. Mas não se ficou por aí, disse, igualmente, que a boa aplicação do Kwenda será uma homenagem a João Lourenço, o Presidente da República, que considera ser um filho do Bié também, por lá ter dado os primeiros passos.

Este enorme programa de apoio às famílias, disse, resulta de um empenho pessoal e da atenção do Presidente para com as famílias mais pobres. “Andulo (Ndulo), na nossa língua, significa estar amargo, mas aqui o Kwenda está doce, vamos fazer por ficar mais doce, porque se trata de um apoio para que as famílias ganhem sustentabilidade. É uma mão social dada pelo Executivo às famílias, para que, depois, façam o seu caminho”, disse Pereira Alfredo. Tratando-se de um programa para aplicação nacional, Chimuna de Oliveira, a directora do FAS na província do Huambo, esteve também no Andulo, muito activa, tal como os técnicos do Banco Sol, parceiro para a operação ontem iniciada, já que os beneficiários terão acesso ao dinheiro disponibilizado pelo Executivo por via de um cartão multicaixa disponibilizado por este banco, o que significa a abertura automática de uma conta bancária para cada um.

O Andulo, diz uma nota do FAS distribuída à imprensa, é o oitavo município angolano a iniciar o processo de Transferências Sociais Monetárias, depois do Nzeto (Zaire), Cacula (Huíla), Ombadja (Cunene); Cambundi Catembo (Malanje), Cuito Cuanavale (Cuando Cubango), Quiculungo (Cuanza-Norte) e Dembos (Bengo). Além das transferências monetárias, o Kwenda integra a componente de Inclusão Produtiva e, no Andulo, por exemplo, o FAS fez a entrega, ontem, a uma cooperativa de camponeses antigos militares, de uma motorizada de três rodas sementes, fertilizantes, duas moto-bombas e de outro equipamento para o trabalho no campo. Falando aos populares, o governador Pereira Alfredo, fez questão de lembrar que, aplicado na compra de adubos, o dinheiro do Kwenda poderá significar um aumento substancial da produção de cada família camponesa.