A hora verde de Angola

A hora verde de Angola

Rolou um clima na cimeira quando o presidente do Brasil disse: “Coincidimos, Presidente Biden, com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior”. Mas Bolsonaro na determinou nada! Era tudo mentira! No dia seguinte ele cortou 85% da verba destinada ao controle das florestas.

A fala era boa, mas era uma patranha. Para inglês ouvir e depois rir da incapacidade de o Brasil se fazer respeitar no mundo. O maior maís da América do Sul está afastando o investimento internacional com uma inacreditável e irresponsável atitude de “não estar nem aí” para o que mundo pensa. Esta pode ser uma oportunidade para Angola. Os países da Ásia que precisam de investir o seu dinheiro estão olhando para o Brasil cada vez com mais dúvidas e a atitude do seu presidente, todos os dias piora essa ideia. Mas deste lado do oceano, outro país pode receber esses investimentos. Se Angola tiver um discurso de Estado ecológico e sustentável, amigo do ambiente, pode criar na comunidade internacional uma imagem positiva.

Enquanto no Brasil o caminho para conseguir o apoio internacional para o problema da Amazónia for cada vez mais estreito, a oportunidade para uma Angola verde é cada vez mais larga. O enfrentamento irresponsável e jocoso com que o presidente do Brasil — vezes demais — delapida a imagem do seu país lhe angariando fama de “pária mundial” deixa um espaço livre para o aparecimento de novos países capazes de ajudar o planeta a cumprir metas ambientais. Os olhos do mundo no Mayombe são muito cumbu! É verdade que o Brasil tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo e a segunda maior cobertura florestal do planeta e que tratar desse património Brasileiro interessa a toda a humanidade.

Mas zombar da comunidade internacional não á a melhor forma de conseguir apoio. E pode fazer-se floresta deste lado! Agindo como o Palhaço Global o presidente brasileiro não vai conseguir um Cuanza de apoio para o seu país e se arrasta cada vez mais fundo na lama das listas negras dos investidores internacionais. A confiança dos atores globais no Brasil é zero. Abaixo de zero. A oportunidade que o Brasil dá Angola de ser o maior país de língua portuguesa capaz de atrair investimento internacional é enorme. Esta pode ser a hora verde de Angola.

POR: José Manuel Diogo