É de hoje…Frente de incertezas

É de hoje…Frente de incertezas

Adivinhando-se uma luta titânica nas próximas eleições gerais, tendo em conta a situação sócio-económica que o país atravessa, fruto das várias crises e da corrupção endémica que só agora se logrou combater, parte da oposição ensaia a sua maior cartada para enfrentar o partido no poder, o MPLA.

Dizemos parte da oposição, porque, por mais que não se queira admitir, mesmo que uns tenham mais força que outros, parece estar fora de hipótese o surgimento de uma Frente Comum, daí que numa cartada inteligente se apodou chamar a que está a ser costurada apenas como uma ‘Frente Patriótica’.

Com o mês de Maio à porta, restará somente uns 30 dias até Junho, período este apresentado por alguns integrantes como sendo aquele em que serão conhecidos mais pormenores sobre a Frente Patriótica.

Até ao momento, o que se sabe é que os três promotores, nomeadamente a UNITA, de Adalberto Costa Júnior, o político Abel Chivukuvuku, e o Bloco Democrático, então presidido por Justino Pinto de Andrade, pretendem unicamente arredar o MPLA do poder.

Como frisou em tempos, ao Novo Jornal, o reverendo Daniel Ntony Nzinga, ‘se derrubar o MPLA é a missão de tal frente, pouco ou nada poderá mudar, enquanto não se trabalhar por uma visão verdadeiramente patriótica’.

Não sendo por si só uma tarefa fácil, difícil também está por se saber as verdadeiras linhas que irão coser o referido acordo entre os três intervenientes. Sendo que, numa primeira fase, está o facto de existirem somente dois partidos, no caso UNITA e o Bloco Democrático, destacando-se aqui a possibilidade de uma nova liderança nos bloquistas poder, se assim entender, descoser, à partida, as linhas passadas na gestão de Justino Pinto de Andrade se se sentir ameaçada.

Até ao momento, embora esteja à porta a realização do seu congresso, ainda paira no ar a incerteza sobre a entrada ou não do outsider da política angolana, Chivukuvuku, que prometeu participar de qualquer modo nas eleições de 2022, mas viu esfumado o seu PRA JA. Fica por se saber se entrará como apoiante apenas ou cabeça de lista de uma organização, para tentar, uma vez mais, realizar o sonho de se tornar presidente da República. A acontecer, claro, estaremos perante o dilema principal desta Frente Patriótica. Quem vai liderar para enfrentar João Lourenço?

Adalberto Costa Júnior diz que ‘será aquele que estiver melhor posicionado’. Por estes dias, Filomeno Vieira Lopes, do Bloco, adicionou mais uma pitada de sal, realçando que esta decisão será baseada na percepção da opinião pública. E se ela não for de acordo com aquilo que são os desígnios daqueles ou dos partidos que se julgam mais fortes? As cenas dos próximos capítulos prometem.