Executivo quer maior envolvimento do sector florestal para acabar com a dependência do petróleo

Executivo quer maior envolvimento do sector florestal para acabar com a dependência do petróleo

A intenção é tirar maior proveito dos 70 milhões de hectares de florestas para o fortalecimento da economia. “Temos de ser capazes de tirar o máximo de rendimento destas imensas riquezas naturais”, disse o ministro de Estado, Manuel Nunes Júnior

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, disse, ontem, em Luanda, que o Governo quer um país que tenha uma economia cada vez menos dependente do petróleo e, para tal, entende ser necessário maior aproveitamento dos recursos florestais.

Manuel Nunes Júnior fez este apelo na abertura do Fórum Nacional de Florestas que encerra hoje, tendo realçado que é irrelevante ser um país potencialmente rico com a abundância de recursos naturais se não se elevar os rendimentos dos cidadãos.

“Nós não queremos ser infinitamente um país potencialmente rico. Nós queremos ser um país verdadeiramente rico”, disse Manuel Nunes Júnior.

A concretização deste desejo, na opinião do governante, só será concretizado se se explorar com competência e responsabilidade todas as riquezas naturais existentes no país, em particular os recursos florestais.

O fortalecimento da economia nacional pode fazer-se com o uso sustentável das florestas e, desta forma, melhorar a vida do país, com realce para as que residem nas regiões rurais com a geração de empregos.

“Temos de ser capazes de tirar o máximo de rendimento destas imensas riquezas naturais”, disse o ministro de Estado para a Coordenação Económica, realçando a necessidade de se criarem bases fundamentais para a industrialização e modernização do sector madeireiro.

70 milhões de hectares de florestas

Angola tem uma superfície de florestas de aproximadamente 70 milhões de hectares, sendo que a reserva de madeira comercial nestas florestas foi estimada em 606 milhões de metros cúbicos, aproximadamente, de acordo com os resultados do primeiro Inventário Florestal Nacional realizado em 2017.

Segundo o estudo, esta reserva permitiria uma produção anual de cerca de 600 mil metros cúbicos de madeira em toro e contribuir, significativamente, para o aumento e diversificação da produção nacional e das exportações.

Segundo o ministro da Agricultura e Pescas, António de Assis, os 70 milhões de hectares, em termos de superfície, representam 55,6% do território nacional, representando um elevado valor económico, social e ambiental.

António de Assis referiu que o Fórum visa promover o debate sobre a importância dos Recursos Florestais e a sua contribuição no desenvolvimento sustentável do país, em especial na diversificação da economia.

Divulgar a Lei n.º 6/17, de 24 de Janeiro, Lei de Base de Florestas e Fauna Selvagem, e os seus respectivos regulamentos, assim como a promoção da Campanha Florestal para o ano 2021, são aspectos que vão nortear a realização do Fórum.

Os participantes vão ainda discutir temas ligados à promoção do Processo de Concessões na Floresta Natural e Plantada, a divulgação de oportunidades de negócios e investimentos no Sector Florestal, assim como a Industrialização do Sector Florestal Nacional, para a produção de bens de consumo nacional.

O Fórum Nacional de Florestas realiza-se sob o lema: “O Papel das Florestas no Desenvolvimento Sustentável do País”.