PR defende estratégia de coabitação com a Covid-19 para garantir a segurança alimentar

PR defende estratégia de coabitação com a Covid-19 para garantir a segurança alimentar

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, ontem, o estabelecimento de uma estratégia de actuação que permita coabitar com a pandemia da Covid-19, enquanto esta não desaparece, visando garantir a segurança alimentar, a reactivação das economias e a normalização da vida dos cidadãos

João Lourenço, que discursava na abertura do Diálogo de Alto Nível sobre “Alimentar África: Liderança para o Incremento das Inovações bem-sucedidas”, defendeu a importância da insistência no diálogos entre os Estados num momento em que existe a forte esperança de que, uma vacinação generalizada possa contribuir para a solução da crise e o regresso à vida normal.

Segundo João Lourenço, o continente africano é considerado o continente da esperança e do futuro, pela juventude da sua população e pela importância e diversidade dos seus recursos naturais. A sua população rural está, sobretudo, ligada à agricultura familiar, que contribui com cerca de 70% para o abastecimento dos mercados, mas, frisou, apesar disso, continua a ser o mais pobre e com maiores problemas alimentares.

Conforme explicou, os baixos preços das matérias-primas nos mercados internacionais e o grande peso da dívida externa, são outros dos factores que dificultam a reactivação das economias dos países africanos, pelo que as negociações ao nível bilateral e multilateral deverão continuar para o reescalonamento das dívidas, em função da situação específica de cada país.

Para o Presidente da República, a fraca industrialização para o processamento dos produtos do campo, faz com que grande parte dos produtos alimentares processados e consumidos em África, sejam importados de outros continentes.

Segundo ainda João Lourenço, entrou em vigor a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que vem incentivar as relações comerciais de produtos e serviços entre países africanos, fortalecer a integração regional e reverter a forte dependência da importação de alimentos e outros bens de consumo. Porem, à par destas condicionantes, apontou, verifica-se com preocupação os efeitos das alterações climáticas que provocam com mais frequência a seca severa e inundações, assim como o surgimento de pragas, com impacto negativo na produção de alimentos.

“Nesse sentido, consideramos relevante a implementação do Acordo de Paris, que deve fazer parte da Agenda Internacional, para que se criem sistemas apropriados de alerta de riscos e catástrofes, que permitam agir em antecipação a futuros eventos”, frisou, tendo acrescentado ainda que no controlo da praga de gafanhotos que assola as culturas no Sul de Angola, contamos com a assistência técnica da FAO, através do projecto de resposta à propagação de gafanhotos na África Austral”.

Facilidade à terra e ao agronegócio

Por outro lado, João Lourenço disse que, nos últimos anos, verifica-se uma forte vontade dos países africanos e da sua organização, a União Africana, no sentido da transformação e da modernização da agricultura, das suas instituições, na melhoria da qualificação e aproveitamento dos quadros técnicos, na definição de novas estratégias e prioridades.

Para o Presidente da República, a população africana é jovem e terá um papel fundamental nessa transformação e no desenvolvimento da agricultura e das pescas, tendo dito ainda que é importante motivar os jovens para o empreendedorismo e o agronegócio, facilitando-lhes o acesso às terras, aos insumos, à formação, aos financiamentos, às novas tecnologias e aos mercados.

“Esforços vêm sendo envidados para a melhoria dos processos de conservação e transformação, a fim de se evitarem perdas significativas ao longo de toda a cadeia de valor, melhorar a qualidade e apresentação comercial, reduzir os custos, criar mais postos de trabalho e oportunidades de exportação”, esclareceu.