Uma faculdade vai muito além da sua localização geográfica

Uma faculdade vai muito além da sua localização geográfica

Um clima húmido, assaz cinzento, na época chuvosa, no mês de Abril, mês das enxurradas, remete-nos a um ambiente mais solene, logo, dar uma olhada à telinha do computador para assistir a um filme é uma actividade convidativa. Na assistência do filme com o título: “Todos os garotos que já amei”, empolgado no desenrolar da narrativa, a frase “uma faculdade vai muito além da geografia”, proferida por um dos protagonistas, chamou e extraviou a minha atenção, fazendo com que eu parasse de assistir e começasse a pensar nessa reflexão.

Essa pequena frase, para muitos, levou-me ao ano 2016, ano que fui admitido no ensino superior, na Escola Superior Pedagógica do Kwanza Norte, no curso Ensino da Língua portuguesa, pois, naquela altura, um dos meus irmãos me disse que não poderia estudar lá, estudar nas províncias não torna os estudantes competentes, sendo assim, a seu ver, eu poderia estudar na Universidade Agostinho Neto, aí, sim, é para se estudar! Estudar em Luanda é outra coisa, em Luanda há rigor, as universidades de Luanda são as melhores porque, aqui, em Luanda, é na capital! Este é o pensamento que gira em torno de muitas cabeças, dá-se o mérito à instituição escolar por conta da sua localização geográfica, fazendo com que haja uma super valorização das instituições escolares que ficam situadas em grandes cidades ou metrópoles, deixando a um nível mais baixo as instituições escolares do interior.

O que muitos não sabem, infelizmente, são os critérios que servem de base para que uma instituição escolar “superior” seja considerada melhor que as outras, e segundo as pesquisas realizadas por mim, a questão geográfica não conta como um dos aspectos, senão para instituições específicas no que diz respeito às áreas de formação e às possíveis realidades geográficas. Por exemplo, para nossa visão, é incongruente colocar faculdade de Engenharia petrolífera na província de Malanje, visto que na província de Malanje não se explora petróleo.

Ademais, para um concurso, os júris estão nem aí para as áreas geográficas das instituições escolares dos concorrentes, o que mais importa para eles é ter indivíduos competentes para que venham conseguir as vagas, a universidade até pode ser uma das melhores, porém o indivíduo não ser um dos melhores e um de uma universidade baixa, pela competência do concorrente, ser um dos melhores. A universidade é geral, mas a competência é individual. Para a classificação das melhores universidades a nível do mundo exige vários aspectos, por exemplo, só para elucidar, para a publicação Times Higher Education analisa cinco aspectos ligados às universidades. Entre eles estão a reputação académica, bem como o volume de pesquisas realizadas e citações dos estudos produzidos na instituição escolar.

Não consta, aqui, a localização geográfica, porque quem faz as universidades são as pessoas nunca a localidade, quem sabe fazer, faz bem em qualquer localidade onde estiver inserido. Esta percepção – atribuir título de melhor em detrimento da localidade geográfica – faz com que muitos dos nossos irmãos angolanos se achem demasiadamente, porque estudaram fora de Angola, concretamente, na Europa, um pensamento descabido de razão, visto que há bons estudantes em qualquer instituição escolar, bem como há estudantes com fraco aproveitamento em qualquer instituição escolar.

Quantos técnicos débeis temos que foram formados em grandes cidades e em grandes universidades? Uma faculdade vai muito além do espaço geográfico porque a real finalidade dela é de preparar homens pensantes, capazes de darem contributos para o bem mundial, preparar condições para as próximas gerações, então, o espaço geográfico não tem muita relevância, a relevância centra-se na realidade das pesquisas e investigações e, consequentemente, a produção para a sua expansão. O que a universidade deve fazer é expandir “vírus positivos” em toda localidade geográfica onde estiver e mais além.

POR: Adilson Fernando João