É de hoje… Agressores

É de hoje… Agressores

As imagens dos polícias a serem agredidos nas províncias da Huíla e de Cabinda invadiram as redes sociais nos últimos dias, despertando em muitos um misto de interrogações sobre o que se estava a passar.

Contrariamente ao que se assiste nos momentos em que é a Polícia a agredir, muitas vezes até tirando a vida de cidadãos inocentes, houve quem tivesse olhado para a falta de condenação de determinados segmentos da própria sociedade alguns dos quais são os feitores dos grandes relatórios que bastas vezes alimentam determinadas chancelarias internacionais.

É tão ruim ver a Polícia a investir em cidadãos indefesos, assim como é condenável a atitude daqueles que hoje se vêm na pele de justiceiro, sem receios de que se deve respeitar os órgãos de autoridade do Estado.

Antes mesmo das agressões que vimos, há dois meses tivemos acesso a informações, através dos principais órgãos de comunicação social de outros incidentes em que alguns populares investiram sobre uma esquadra na Maianga, em Cacuaco e outros, que neste último município, montaram barricadas numa operação de remoção de indivíduos que se diziam terem ocupado anarquicamente alguns espaços.

São vários os exemplos que poderíamos mencionar. Deixam preocupados qualquer um dos angolanos de bom senso, porque, mais do que qualquer outro povo no mundo, a experiência já nos mostrou que a confrontação não nos levará a lado algum.

Não se quer com isso dizer que os cidadãos percam o seu direito de reivindicar, algumas vezes até saindo à rua, se necessário. Mas a lógica da confrontação directa, incentivada até por alguns Messias, está longe de ser a melhor opção, sabendo-se que não haverão varinhas mágicas para a resolução de alguns problemas que fomos acumulando ao longo dos anos.

É preciso não esquecer que há uma década, uma onda apelidada de primavera árabe varreu o mundo, com muitos paladinos da democracia anunciando o início de uma nova era.

Passados estes anos todos, hoje o tempo demonstrou que uma maioria dos Estados afectados encontram-se em situação mais delicada do que se encontravam.

Por mais que as nossas frustrações nos incitem a cometer determinados desvarios, é importante que o cérebro funcione bem a ponto de nos indicar o melhor caminho.

Não há dúvidas de que os jovens detidos, tanto em Cabinda como na Huíla, serão exemplarmente punidos. Por uma acção que seria evitada se não se deixassem levar pelo espírito de que aqui tudo é permitido ou inspirados em realidades de outras latitudes.