Mais de 11 mil pessoas morreram no ano passado de malária

Mais de 11 mil pessoas morreram no ano passado de malária

O actual coordenador Nacional do Programa da Malária, José Franco Martins, fez saber que em relação aos óbitos, em 2020, foram registado 11.667 óbitos. E em relação as médias por trimestre, em 2020 foram registados 1.049 óbitos e, em 2021, foram de 961 óbitos

O actual coordenador Nacional do Programa da Malária, José Franco Martins, esclarece que esta é a comparação do primeiro trimestre de 2020 e 2021, feita, recentemente, durante um Fórum de Parceiros Sobre a Estratégia Nacional e Compromisso no Combate à Malária, realizado pela ExxonMobil em parceria com o Ministério da Saúde, Programa Nacional de Controlo da Malária, na plataforma Zoom.

Entre os dois primeiros trimestres de 2020 a 2021 houve uma redução de casos, onde, em 2020, no primeiro trimestre foram notificados 2 milhões 318 mil 685 casos e, em 2021, foram notificados 2 milhões 31 mil 282 casos. Quanto ao aumento de casos de malária, contou ser multifactorial.

“Mas, anteriormente poderíamos falar em relação à fraca cobertura das intervenções, sobretudo, do ponto de vista de prevenção. Mas deixa-me dizer que tivemos alguns ganhos que se reflectem no aumento de números de casos como, melhoramento no acesso e a cobertura dos serviços”, disse.

Disse que mais pessoas foram cooptadas para o nosso sistema de informação sanitária. Ou seja, a mais ou menos dois anos melhoraram a capacidade de diagnóstico, através da disponibilidade de testes rápidos e de insumos de laboratório, o que fez com que aumentasse a cobertura desses serviços e mais pessoas pudessem ser confirmadas efectivamente como tendo malária.

“Um outro aspecto, muito importante, é de que começamos a captar mais casos na comunidade através dos ADECOS. Dizer que 10 por cento da informação que consta na nossa base de dados são informações provenientes da comunidade. São informações que, anteriormente, quando não tínhamos essa estratégia poderiam estar dispersos”, explicou.

Cerca de USD 500 milhões orçados para o combate à malária

Quanto ao orçamento, José Martins explicou que tem um plano estratégico que foi elaborado, recentemente, e que tem um período de cinco anos, orçado em cerca de USD 500 milhões. O mesmo varia entre 90 e 100 milhões de dólares/ano. Fez saber que o país está com uma taxa de positividade de 52 por cento, bastante elevada em relação aos menos de 5 por cento recomendados pela OMS para entrar na fase de pré-eliminação.

Entretanto, o coordenador Nacional do Programa da Malária, José Martins, passou algumas recomendações como o reforço da vigilância epidemiológica nas Unidades Sanitárias, o treinamento dos técnicos de saúde em vigilância e o manejo de casos.

Igualmente, acha ser importante treinar os técnicos sobre prevenção e resposta às epidemias, efectuar compras atempadas de medicamentos e insumos para o controlo da malária; mobilizar recursos para as intervenções de prevenção das epidemias da malária; bem como continuar a distribuir massivamente os mosquiteiros e reforçar as campanhas de sensibilização da população para o uso correcto dos mosquiteiros.

“Melhorar o saneamento básico do meio, realizar pulverizações intra-domiciliar com efeito residual e expandir ou reforçar as acções de luta anti-larval”, acrescentou.

Impacto de Intervenções Comunitárias no Combate à Malária

Por sua vez, o oficial sénior de parcerias da ADPP, Evaristo Waya, que falou do Impacto de Intervenções Comunitárias no Combate à Malária, disse que a ADPP, com o apoio financeiro da ExxonMobil, está a implementar o projecto comunitário de prevenção da malária nas províncias do Zaire (Soyo), Malanje (Calandula e Cacuso) e Uíge (Maquela do Zombo).

A estratégia de intervenção é baseada na comunidade e na escola com intervenções de mobilização social para mudança de comportamento.

Em termos de projectos, fez saber que os principais, em 2020, foram de 40 agentes comunitários de saúde treinados e que realizam actividades de sensibilização para mudança de comportamento, teste rápido e tratamento de casos simples da malária.

Também 150 escolas primárias participam no programa, 60 professores de controlo da malária treinados e que realizam actividades. Um total de 512 alunos estão activos nas patrulhas de controlo da malária, 150 clubes desportivos foram treinados na abordagem de prevenção da malária.

Contou ainda que 2.332 pessoas foram alcançadas com mensagens chave para a mudança de comportamento, nas escolas e actividades comunitárias.

Fundo Global um dos grandes dadores do país para a malária

Evaristo Waya disse que todos os participantes do projecto (professores, agentes comunitários, estudantes e líderes comunitários) foram mobilizados e treinados sobre as medidas de prevenção da Covid-19 para mitigar o seu impacto na implementação das actividades.

Um total de 2.043 Tippy Taps foram estabelecidos nas comunidades para uso público como parte de consciencialização da prevenção da Covid-19. Foi distribuído o material desenvolvido pela DNSP sobre as mensagens chave de prevenção.

O oficial sénior de parcerias da ADPP, Evaristo Waya, recordou que o Fundo Global é um dos grandes dadores do país para o combate à malária, tuberculose e o VIH/SIDA. E tem no país o mecanismo nacional de coordenação de que fazem parte instituições do Governo, sociedade civil, pessoas diferentes e organizações que trabalham com a malária.

“E nesse sentido, a ADPP e a ACJT foram eleitas, na última assembleia, como entidades que podem representar as organizações de combate à malária. Nesse sentido, uma das responsabilidades é realmente dar o feedback ao fórum de parceiros dos assuntos que são tratados a nível do mecanismo de coordenação do fundo global, principalmente nesse requisito em relação à malária”, disse.