Raimundo Salvador deplora celebração da festa do Jazz em Angola com ausências de Kituxi e Jovens do Hungo

Raimundo Salvador deplora celebração da festa do Jazz em Angola com ausências de Kituxi e Jovens do Hungo

As ausências de Kituxi e Jovens do Hungo estão na base da insatisfação do jornalista Raimundo Salvador, por considerar que ambos têm muito mais a ver com o Jazz, na sua essência e raíz. Não estando contemplados nas celebrações do Dia Mundial do Jazz no país, ocorre em contramão a proposta do organismo da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)

O jornalista Raimundo Salvador utilizou as suas redes sociais para manifestar o seu descontentamento pela forma como está a ser celebrado o Dia Mundial do Jazz em Angola, assinalado a 30 de Abril, com a decorrência de um Festival Internacional, em que ficaram de fora nomes como de Kituxi e Jovens do Hungo.

Contactado por este Jornal para aferir a veracidade do conteúdo, o também apresentador do programa de cariz cultural Conversa à Sombra da Mulemba, confirmou o facto autorizando a sua publicação por constituir matéria de interesse público.

Por essa razão, com base no seu escrito, pode ler-se que “a festa do Jazz em Angola é redutora, simplista, não inclusiva. A festa do Jazz em Angola estimula preconceitos e desinforma. Esta gente chic, e vazia, no alto do pedestal da sua ignorância nem imagina que o Kituxi e os Jovens Hungo, por exemplo, têm muito mais a ver com o Jazz, na sua essência, na sua raiz, que toda simbologia e ignorância que destilam por todos os poros nos seus salões”.

Ainda no decurso do seu desabafo, sem precisar a quem de facto dirige a sua comunicação, Raimundo Salvador ainda escreve: “esta gente vazia nem imagina que o brasileiro Naná Vasconcelos, literalmente colega do mestre Kituxi, exímio tocador de Hungo, foi várias vezes classificado pela revista Billboard como percussionista do ano deste estilo musical. ‘Mestre Kituxi’ era assim que Naná Vasconcelos tratava o seu colega angolano”.

O jornalista justificou ainda, que a UNESCO pretende que as nações usem o Jazz para reunir pessoas e fortalecer o respeito de valores comuns. “Revolta, uma profunda revolta é o que emerge da minha alma quando aprecio o cenário da celebração do Dia Mundial do Jazz em Luanda”, desabafa.

O Festival

Entretanto, hoje encerra o Festival Internacional de Jazz de Luanda, que contou com a participação de vários artistas nacionais e estrangeiros, e visou homenagear o músico e compositor Waldemar Bastos, falecido no ano passado por doença.

O primeiro dia do festival contou com as actuações das Marias (Moçambique), Esperança Mirakiza, Filipe Mukenga, Anabela Aya, Totó ST (Angola), Yamandu Costa (Brasil) e da Catarina dos Santos (Portugal).

O evento ficou marcado pela interpretação de temas de artistas nacionais nas vozes de estrangeiros convidados, num único espaço que albergou música, exposição de quadros e a degustação de vinhos.

Saliente-se que o evento foi promovido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Comissão Multisectorial da Bienal de Luanda, para a Cultura de Paz, e a Escola Americana de Angola (ASA).

A data

A data foi criada pela UNESCO e anunciada pelo pianista e embaixador da boa vontade da UNESCO, Herbie Hancock. Foi em 2012 que se celebrou, pela primeira, vez o Dia Internacional do Jazz. A comemoração tem como objectivo lembrar a importância deste género musical e o seu contributo na promoção de diferentes culturas e povos ao longo da história. O jazz está associado à luta pela liberdade e à abolição da escravatura.

Jorge Fernandes e Valdimiro Graciano