Teoria geral da ignorância

Quando, para a reflexão só tenho à disposição uma bicicleta, manobro as curvas de uma intenção subjectiva de uma «Pessoa do Bem» e encontro muralhas construídas propositadamente, só para que a travessia do além-esseespaço não ocorra com a agilidade que se solicitasse, devido à actualização constante do Globo, faço- me, não raras vezes, à seguinte questão-ilação: «não somos nada diante do mundo, e/ou se quer mesmo o nosso avanço, o nosso bem-estar?!»

Busco, para tal, fontes históricas possíveis, com o único objectivo de encontrar algum sobrevivente que me seja suficientemente capaz de explicar com quantos anos de trabalho se fez a Vida e com quantas e quais peças. Na esperança de vir, com isso, a depreender a mística sensação de ser «um zero à esquerda», tenho sido atravessado por um monte de lixo que somente comprova a nossa «doutormania » fracassada.

Ou uma mãe que me venha a aclarar-me com quantas doses de vacina se poderia impor a inteligência no cérebro de um recémchegado ao mundo, como se de um PC, por exemplo, se tratasse, que receberia um embrulho sem vírus.

Tento abrir O Diploma que discute a importância de ler, e aqui seria ler os sinais do Mundo, com a missão de encontrar, na Teoria Geral da Ignorância, a tão-propalada boa intenção do «tal». Contudo, rasgo-me de equívocos, vendo alguns artigos inacabados e outros inexistentes. A pressa, nalgumas circunstâncias, não vem ao acaso, pode dar-se que seja fruto de uma espera longa, visto que «a fome não têm paciência».

Quem viajar de comboio por essas terras, por conseguinte, saberá que qualquer conversa poderia ser bem-aventurada entre o seu meio, pois, nesse particular, a espera é uma virtude dos que têm mais zeros à direita das suas contas bancárias, porém é requerida. Ou mesmo a abertura de um livro entre as páginas de uma temática existencialista, cujo fim passaria por compreender os mistérios da própria vida.

Ora, de arrepiar, às tantas, fingimos que em nada nos preocupam alguns assuntos. De alistar, seriam, com alguma certeza, vários. O livro seria um deles. O Deus-comando-catalisador cuja validade se estenderia a todos seres humanos. O «centro gravitacional » de qualquer Nação que se quisesse como tal, na verdade.

Por exemplo, onde se acreditava piamente que não se alcançaria o desenvolvimento humano e, consequentemente, de um país, sem que se colocasse a busca do conhecimento na prateleira da própria Constituição da República, relatos nos chegaram segundo os quais houve aviões a deixarem cair mísseis com caixas de livros diversificados. Cada (cidadão) poderia, assim, tirar a tipologia (de livros) que lhe conviesse e levasse para a sua casa. Prenda, na verdade, em homenagem ao Dia do Livro. Lá essas coisas valiam para toda vida.

No país onde os livros eram vistos somente no Blast, no AXN ou na ZapNovelas, entretanto, as universidades, as escolas médias e as de base continuavam miúdas sem roupas, prontas à submissão, à prostituição, à corrupção de valores, tudo para a fabricação de instrumentos que – no momento da votação – hão-de clicar no botão da amnésia, da ignorância.

Um africano assaz conhecido dizia que «a educação seria a arma mais poderosa para se transformar o mundo». Em contrapartida, numa terra algures, era e ainda é o meio usado para se atingir os fins da Classe Dominante.

Disse-se que naquela terra onde se acordava e se pensava nos bolsos, os pseudo-doutores, de cuja pós-graduação fora duvidosamente vista como resultado de um comércio com uma permuta que se desconfiou que tenha sido fruto dalguns meses de férias com quilos de kamanga, estiveram em fortes discussões parlamentares para apurar-se a veracidade dos factos.

Sobre a mesa, aventou-se a hipótese de que o Facebook e outras TVs fossem propriedades do próprio Diabo negro; se comer lambula assada na lenha seria menos romântico que grelhar galos idosos, com um copo cheio de martin.; num século em que os pintos também já falavam Latim, anglicismos e outras línguas dos cães, ministros e deputados do bem aplaudiram a iniciativa de continuar o silêncio sobre quais rumos teria determinado país.

De resto, como era (e o é) de costume, os milhões caem cada vez mais. Os livros, porém, sempre vistos como elementos acessórios daquela Sintaxe Governativa. Parecia que ninguém via nada. Parecia que alguém não sabia quais papéis lhe cabiam mais, pois somente nos lembramos dos livros no dito «dia do livro». E, com cara de pau, uma jornalista muito famosa e bonita noticiara que o Estado continuaria a trabalhar para a valorização dessa ferramenta necessária à vida de qualquer Nação. Só não entendi de que Estado se tratava, quando «a luz foi», às 20 h e 3 minutos.

Por: Salvador de Jesus Ximbulikha