Diplomania e meritocracia na sociedade angolana

O prelúdio a que nos propusemos, por ora, vai eivado de certas doses de críticas em relação ao conceito e o modo de actuação, em Angola, quando o assunto é diploma. Como se sabe, Diploma é um documento formal que confere alguma honra, grau ou privilégio emitido por uma Instituição de Ensino, tal como uma Universidade, Faculdade ou Centro, que testemunha que a pessoa a quem se concede completou, com sucesso, um determinado curso, ou recebeu um grau académico. No entanto, a nossa abordagem está voltada ao termo DIPLOMANIA e, como se pode ler, colocase o sufixo mania para se referir à busca doentia pelos diplomas. Para avolumar, entenda-se por diplomania a busca entorpecida pelo diploma à luz do “custe o que custar”.

Como dizem os ingleses, “unfortunately” (infelizmente, as pessoas têm conceito distorcido sobre os diplomas, chegando até mesmo a preferir o diploma à competência, ou seja, o importante para os nossos manos é serem vistos como licenciados. Depois, inclusive, exigem tratamento de doutores, outro problema.

A razão por que se escreve sobre isso, não é, necessariamente, antípoda à obtenção de diplomas em si, mas contra a busca doentia por eles. O diploma deve ser o resultado da competência que se buscou ter em determinada área do saber.

A diplomania pode dar – e dá mesmo- margem às práticas desonestas como a corrupção nas Universidades, Faculdades, Escolas, Centros e outros. Além disso, isso tem levado os estudantes a terem “notas transmissíveis sexualmente”. Aliás, no dia 5 de Maio, quarta-feira, assinala-se o dia da Língua Portuguesa e como tenho dito: “o domínio da Língua Portuguesa é indispensável para qualquer que se preze estudante e não só.”

Não se admite, em pleno século XXI, que um licenciado tenha aprender do que ensinar” e a lista continua. Aliás, recentemente, Filipe Zau levantou reflexões sobre a Educação em Angola. Hoje, por exemplo, as Universidades são mais comerciais do que académicas.

Não estamos a pedir perfeição, é impossível tê-la, quais humanos imperfeitos, estamos a pedir diploma real e não ideal. Por que certificar alguém que não corresponda ao perfil de formado numa área? Será que o mais importante é ter tantos licenciados que, inclusive, parece que transitam directamente para doutores?

O país não se faz só de licenciados doutores, mestres, Phd’s, dizia alguém. Faz-se, também, de agricultores, sapateiros, vendedores e por aí vai. A diversidade faz o mundo. Portanto, Abramo- nos aos demais campos essenciais da vida.

Vale mais um bom sapateiro, vendedor, agricultor do que um diplomaníaco. Como será no momento de actuação?

Antigamente, ter os níveis anteriores (Ensino Primário, I Ciclo) bem-feitos, era meio caminho andado para o sucesso académico. Hoje, lamentavelmente, o meio caminho andado é ser filho de alguém no topo, é ser “mulata”, é ter artes de corromper o professor (a).

Porém, como a discussão não se restringe à diplomania, vamos, agora, olhar para o termo meritocracia.

Entenda-se, por meritocracia, o processo de reconhecimento de competências. Muitos concluem a formação, mas, alguns concluem-na com distinção. Daí, então, urge a necessidade de reconhecer o seu desempenho com DIPLOMA DE MÉRITO.

Realmente, cá, em Angola, há também estudantes de se lhes tirar o chapéu. Contudo, têm sido levantadas questões como: Qual deve ser o critério avaliativo? Será que a escolha pelo melhor corresponde à verdade?

Respondendo à questão inicial, ou simplesmente opinar sobre ela, o maior critério tem sido a avaliação quantitativa. Assim, os que recebem diplomas de méritos, maioritariamente, têm sido aqueles que têm as notas máximas. Porém, nem sempre os melhores são os que têm ou saem com as melhores notas. É claro que os melhores tiram boas notas, mas, a nosso ver, não deve ser o único critério pelo qual se escolha o melhor.

Mais do que ter diploma, queremos ser competentes, dominar a área na qual nos formamos. Houve quem dissesse: “Não importa apenas fazer, mas fazer bem.” Portanto, tenhamos o conceito correcto sobre os diplomas, busquemos equipar-nos, tendo o perfil que se preze na nossa área. Aliás, terminemos com distinção. Se assim o fizermos, sem dúvida, estaremos tendo a certificação ideal e, sobretudo, REAL.

Por: Pedro Justino “Cabalmente”