Caculo cabaça consome maior ‘bolo’ orçamental do PIP 2020

Caculo cabaça consome maior ‘bolo’ orçamental do PIP 2020

O projecto em causa foi dos que apresentou maior execução orçamental (de 98%), ao nível do PIP, tendo representado uma despesa de 134 mil milhões de kwanzas. Ao seu lado, somente os gastos com a construção e instalação de sistemas solares de energias renováveis, que está a ser executada pela empresa norte-americana Sun África, na província de Benguela, chegou perto

As obras de construção do Aproveitamento Hidro-eléctrico de Caculo Cabaça, na província do Kuanza Norte, constituíram os principais gastos do Estado angolano, no âmbito do Programa de Investimento Público (PIP), no terceiro trimestre de 2020. Segundo o relatório de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) -2020, referente àquele período do ano passado, o projecto em causa foi dos que apresentou maior execução orçamental (de 98%), ao nível do PIP, tendo representado uma despesa de 134 mil milhões de kwanzas.

Ao lado deste projecto, somente os gastos com a construção e instalação de sistemas solares de energias renováveis, que está a ser executada pela empresa norte-americana Sun África, na província de Benguela, chegou perto, nomeadamente no sector dos combustíveis e energia, ao custar pouco mais de 83,4 mil milhões de kwanzas aos cofres do Estado. Até finais de Novembro de 2020, a construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça tinha um grau de execução física global de 4,1%, segundo os dados disponibilizados pelo Governo. Lançadas em Agosto de 2017, os avanços parcelares das principais componentes do segmento da construção civil estavam, até ao período atrás referido, a 6,2%.

No mesmo segmento (construção civil), o grau de execução das obras indicavam que os túneis de desvio do rio estavam a 91,9%, enquanto o estaleiro do desvio do rio estava a 84%. Já o estaleiro da obra principal estava a 11,7% e os acessos definitivos a 8,8%, ponte definitiva (9,1%), canal de saída da restituição (22%) e a do túnel de acesso à central principal (100%).

Em declarações ao Jornal de Angola, o director do Projecto Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, Augusto Chico, havia informado que se tinha dado início, naquele mesmo período, a escavação dos túneis de acesso aos de restituição, bem como aos trabalhos preparatórios para o arranque efectivo da escavação e suporte das frentes de obra do túnel de ataque à abóbada da central e à chaminé de equilíbrio.

No que diz respeito à execução dos trabalhos de construção da barragem de 103 metros de altura e 533 metros de desenvolvimento, estavam condicionados, até aquela altura, à conclusão dos trabalhos do desvio provisório, cujo ritmo de execução estava em fase avançada, com um registo na ordem dos 91,9%. Os trabalhos de execução do desvio do rio e da obra civil principal envolviam, na época em referência, uma mão-de-obra composta por 981 trabalhadores, dos quais 666 (67,9%) nacionais e 315 (32,1%) expatriados.

Quanto ao grau de execução das diferentes fases do maior projecto hidroeléctrico do país, que está a nascer no Médio Kwanza, Augusto Chico assegurou que estavam em andamento, até finais do ano passado, duas fases, nomeadamente a do desvio do rio, com avanço físico, até então, de 91,9%, e a obra civil principal, com avanço físico de 6,2%.

Já a terceira fase do projecto, respeitante aos equipamentos, aguardava, até finais do ano passado, estava a aguardar pela finalização de alguns processos formais, ligados ao financiamento, que estaria garantido, segundo as informações oficiais disponibilizadas até então, pela empresa alemã Voith Hydro”. Os financiamentos para a construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça estão garantidos, através de duas linhas de crédito externas, sendo uma da China e outra da Alemanha.

Consta que a linha de crédito da China, no valor de 3,7 mil milhões de dólares, para as componentes da obra de construção civil do aproveitamento hidroeléctrico e do sistema de transporte associado, já está aprovado e em “eficácia”. Já o financiamento da Alemanha, orçado em 1,4 mil milhões de dólares, encontrava-se, até finais do ano passado, em fase final de aprovação.

Este financiamento, em particular, está destinado à componente do fornecimento e montagem dos equipamentos electromecânicos. O projecto hidroeléctrico de Caculo Cabaça vai produzir 2.172 megawatts (MW). Depois de concluído, o imponente aproveitamento fará parte de um leque de barragens construídas ao longo do Médio Kwanza, onde já despontam a de Cambambe (Kuanza-Norte), Capanda e Laúca (Malanje).

António Nogueira