Concurso para privatização da ENSA pode ser lançado este ano

Concurso para privatização da ENSA pode ser lançado este ano

Conselho de administração da empresa garante que não haverá despedimentos colectivos de trabalhadores, com a privatização de parte do seu capital, tendo reforçado que há neste momento todo um empenho para que se aumente a rentabilidade da seguradora pública

O processo de privatização da seguradora estatal nacional, ENSA, poderá ficar concluído até ao final deste ano, prevendo-se o lançamento do concurso limitado por prévia qualificação no trimestre em curso, anunciou o presidente do conselho de administração da empresa, Carlos Duarte. O gestor, que falava, esta segunda-feira, 3, na apresentação dos resultados da seguradora em 2020, admitiu que nas próximas semanas deverá ser divulgado um despacho do Ministério das Finanças para o lançamento do concurso e definição da percentagem a ser alienada.

“Os trabalhos estão muito avançados, temos assessores financeiros, jurídicos, o IGAPE, há uma equipa vasta, muito competente, a gerir o processo. Penso que a nossa meta é privatizar a empresa até ao final do ano e tudo indica que está tudo a correr bem”, referiu.

Em relação ao quadro de pessoal, Carlos Duarte garantiu que “não haverá despedimentos colectivos na ENSA, com a privatização de parte do capital da empresa, tendo reforçado que a administração vai procurar aumentar a rentabilidade da companhia e manter os 578 colaboradores, espalhados em várias províncias do país.

“O capital social da ENSA será aberto a investimento interno e externo, o que se poderá traduzir num marco histórico para o futuro da actividade seguradora em Angola”, considerou o responsável.

O processo de privatização da ENSA arrancou em 2019 com a lei de bases das privatizações, de 14 de Maio de 2019, tendo em Agosto de 2019 sido lançado o programa de privatizações para o período 2020-2022, denominado PROPRIV, que deu corpo ao decreto presidencial 250/19, de 08 de Agosto, tendo a modalidade de privatização ficado definida com o despacho presidencial 81/20, de 05 de Junho.

O processo tem duas fases, sendo a primeira a identificação de um parceiro estratégico para a privatização da ENSA e a segunda a venda das acções da empresa. Em Março deste ano, a ENSA foi recolocada à titularidade directa do Estado, antes detida pelo grupo ENSA. Também presente no evento, a administradora da seguradora, Matilde Guebe, avançou que há um trabalho que tem sido feito por vários ‘players’ e intervenientes no processo, nomeadamente a ENSA, o IGAPE, um assessor financeiro independente e um legal, tendo o primeiro a  competência de criar um modelo com o valor do activo da seguradora e o segundo garantir a legalidade de todo esse processo. Segundo garantiu, o processo está em curso e quase concluído, visando a elaboração das peças de concurso para esta primeira fase de privatização. “Esta assessoria, que é prestada pelos bancos de investimento, são, no fundo, para garantir o valor deste bem”, salientou Matilde Guebe.

Resultado líquido positivo

A Empresa Nacional de Seguros e Resseguros de Angola (ENSA) registou, em 2020, um resultado líquido positivo de 17,6 mil milhões de kwanzas nas suas contas, o que representa um aumento de 7,7 mil milhões de kwanzas (278 por cento), em relação ao ano financeiro de 2019, mantendo-se na liderança do mercado segurador angolano. Além do resultado líquido positivo, a seguradora pública aumentou também, em 2020, o valor dos seus activos, que estão avaliados em 195,8 mil milhões de kwanzas, contra os 163 mil milhões de 2019, segundo deu a conhecer o presidente do conselho de administração da companhia, Carlos Duarte.

O volume de prémios também elevou-se de 63 mil milhões de kwanzas, em 2019, para 84 mil milhões, em 2020. Na ocasião, o gestor justificou que os resultados positivos e animadores alcançados neste período se deveram à implementação de um plano estratégico 2020/2022, que encoraja a administração da empresa a continuar com o seu trabalho. Carlos Duarte informou, por outro lado, que, entre os vários serviços que a ENSA cobre, a petroquímica (68%), os transportes (47%) e os acidentes de trabalho (46%) como as áreas que mais contribuíram no alcance dos bons resultados da empresa.

Entretanto, o gestor reconheceu que o ano de 2020 foi um período particularmente difícil, devido ao contexto da pandemia da Covid-19, que afectou e continua a impactar negativamente na actividade das empresas. Fundada a 18 de Fevereiro de 1978, a ENSA iniciou a sua actividade a 15 de Abril do mesmo ano, com a denominação de Empresa Nacional de Seguros e Resseguros de Angola. Actualmente, o grupo ENSA transformou-se de empresa pública para sociedade anónima, denominada Invest Park.

António Nogueira