Fraca qualidade técnica das fontes e o difícil acesso afectam a liberdade de imprensa

Fraca qualidade técnica das fontes e o difícil acesso afectam a liberdade de imprensa

Segundo o jornalista, Ismael Mateus, a fraca qualidade técnica das fontes, o difícil acesso às fontes, bem como a sua indisponibilidade para as necessidades informativas, têm afectado a qualidade da liberdade de imprensa e criado condições para o deficiente exercício do pluralismo nos meios de comunicação social angolanos

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) promoveu, ontem, em Luanda, no auditório do Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), um encontro Nacional de Quadros da Comunicação Social sob o lema “Por uma Comunicação Social Inclusiva e Participativa”, alusivo ao dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado ontem.

O jornalista Ismael Mateus, que falava sobre o “Papel dos Órgãos de Comunicação Social Públicas e Privados para a liberdade de Imprensa”, cingiu-se mais no “Pluralismo, Qualidade do Pluralismo na nossa Liberdade de Imprensa e a Independência dos Jornalistas. Entretanto, explicou que para conseguirmos ter um ambiente favorável no exercício da liberdade de imprensa é fundamental reconhecer três momentos.

O primeiro, o antecipar de uma oferta pluralista, independente e livre dos meios de comunicação social. “Isso parece mais ou menos consensual. É preciso criar condições para que o ambiente da liberdade de imprensa seja marcado por essa promoção da oferta de pluralismo, independente e livre dos meios de comunicação social”, esclareceu. De acordo com Ismael Mateus, o pluralismo é o centro, um dos pilares da nossa liberdade de imprensa. E, portanto, a questão central é que há a necessidade de se garantir, em primeiro lugar, uma difusão de múltiplos pontos de vistas, promovendo debates.

“Pluralismo e a independência são fundamentais para a liberdade de expressão e são fundamentais também para que a comunicação social ou os meios de comunicação exerçam quatro actividades, quatro responsabilidades fundamentais”, disse. Disse, primeiro, que eles sejam defensores públicos e vigilantes permanentes das actividades públicas; segundo, que contribuam para informar e capacitar os cidadãos; terceiro, que contribuam para ampliar a compreensão dos cidadãos sobre o panorama político social, enquanto promovem a participação consciente dos cidadãos na vida pública (democrática).

De acordo com o jornalista, não é possível exercer essas quatro responsabilidades se não tivermos um ambiente de pluralismo e independência dos meios de comunicação social. “Está é a grande meta que nós temos de procurar atingir e todo esforço ao nível daquilo que nós chamamos de processo de liberdade de imprensa tem de ser gradualmente promovido, para que essas metas sejam definitivamente atingidas”, disse.

Concentração de poder na comunicação social produz consequências negativas

Explicou que a concentração de poder dos conglomerados da comunicação social e o controlo social por sociedades comerciais, e intervenientes políticos, produz consequências negativas para o pluralismo e para o acesso da informação, e tem um impacto directo negativo sobre a liberdade, a integridade, a qualidade e independência editorial do jornalismo. “Avaliando a qualidade da nossa liberdade, não é forçoso referir a fraca qualidade técnica das nossas fontes. Num país como o nosso, em que todos temos debilidades, as nossas fontes também têm debilidades e, naturalmente, isso condiciona a qualidade do serviço que se presta e a qualidade da pluralidade do jornalismo”, recordou.