“É hora de desalojarmos o jornalismo da Cidade Alta”

“É hora de desalojarmos o jornalismo da Cidade Alta”

O professor universitário e religioso católico, frei José Paulo, considera o jornalismo e a imprensa angolana como enfermo de um ‘vírus’ que o coloca entre a “subserviência, a subsistência e profissionalismo” do qual precisa ser desparasitado.

Um dos quatro, convidados ao debate promovido pelo MISA Angola no corolário dos festejos do dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o religioso comentou que considera o jornalismo subserviente por persistir no “servilismo, graxa, bajulação, adulação e a lisonja”.

“Desde 2017 aos nossos dias, assiste-se uma boa luta contra a corrupção. Será que a luta contra a bajulação está a seguir os mesmos passos? Deixo esta pergunta”, atirou o religioso da ordem dos Pregadores de Angola.

José Paulo prosseguiu as suas interrogações dizendo: “será que o axioma é lutar contra a corrupção e a bajulação fica para a próxima legislatura?”.

Para ele, o jornalismo de “subsistência” é aquele ao serviço apenas da “manutenção, permanência, conservação e preservação do sustento” ou seja, o jornalismo da política do ventre que luta apenas pelas benesses.

Todavia a meio de tudo, reconhece existir “profissionalismo”, ou seja, o jornalismo feito da doação, do serviço, do ideário e da competência.

Para debater os efeitos perversos, o religioso aponta a necessidade da existência do chamado “público racional” em oposição ao “público emocional” sendo o último apenas o que escuta e vai a rua sem pestanejar, enquanto o primeiro é o que, mesmo não significando necessariamente ‘inteligente’ é um conjunto de pessoas que domina o que está a ser tratado na midia.

José Paulo apela ao “desalojar” do jornalismo da ‘Cidade Alta’ e virar-se para os verdadeiros problemas que reclamam atenção da classe: “Cito como o exemplo o mercado do Km 30. Lá há histórias de sobra.

Lembram-se da história do avião que saiu da pista do nosso aeroporto e desapareceu?

Lembram-se do caso da mercadoria que veio a meio da carga de material de biossegurança proveniente da China?

Foram histórias levantadas pela midia cujo desfecho não conhecemos”, enfatizou.