Festival de Cannes. Hollywood já não mora aqui

Festival de Cannes. Hollywood já não mora aqui

O cinema americano estará presente em Cannes, ainda que de forma relativamente discreta. E com um fantasma a pairar, chamado Netflix. E os americanos?…

A pergunta não é académica. Sobretudo porque Cannes (como Berlim ou Veneza, convém não esquecer) nunca menosprezou a possibilidade de, com filmes “melhores” ou “piores”, integrar produções da grande indústria dos EUA.

E por uma razão que, no plano da estratégia mediática, está longe de ser secundária: os nomes envolvidos em tais filmes, sobretudo nos respectivos elencos, podem ter um efeito mais directo, porventura mais mobilizador, junto dos espectadores que ignoram a actualidade dos festivais.

Haverá outra razão, sem dúvida perversa, para explicar a discreta presença da marca “Hollywood” na selecção oficial deste ano. Essa razão tem um nome, tão factual quanto fantasmático: Netflix.

De facto, o desentendimento Cannes/Netflix não está resolvido e, como é muito evidente, de Martin Scorsese a Angelina Jolie, muitos nomes emblemáticos do cinema americano têm estado envolvidos em produções Netflix.