Futuro de Artur Almeida decidido em Assembleia-geral extraordinária

Futuro de Artur Almeida decidido em Assembleia-geral extraordinária

Os filiados da Federação Angolana de Futebol (FAF) discutem, amanhã, três pontos, em Assembleia-geral extraordinária, no Hotel Royal Plaza, em Luanda, às 10:00. O momento menos bom da modalidade, a gestão do órgão, bem como eventuais consequências do pleito eleitoral (2020/2024) são os temas a serem abordados, segundo o documento a que O País teve acesso em Maio passado

As associações provinciais de futebol (APF) discutem, amanhã, em Assembleia- geral extraordinária, o futuro de Artur Almeida na Federação Angolana de Futebol (FAF), no Hotel Royal Plaza, em Luanda, às 10:00.

Após vencer as eleições referentes ao ciclo olímpico 2020/2024, com 70 votos, batendo nas urnas Nando Jordão, com 59, António Gomes, com 28 e José Macaia, com oito votos respectivamente, um dos candidatos excluídos do processo, Norberto de Castro, interpôs uma Providência Cautelar no Tribunal Provincial de Luanda (TPL) para acautelar os benefícios que adviriam do pleito.

Por sua vez, o TPL, em tempo útil, julgou o processo a favor do candidato excluído e ordenou que o presidente cessante (2016/2020) e o seu elenco não tomassem posse por força das irregularidades observadas no arranque do processo.

Perante os factos, os filiados acham que a FAF está num marasmo técnico e administrativo e isso acaba por inviabilizar a sua movimentação dentro e fora do país.

Infelizmente, a comissão encarregada para resolver questões pontuais não as materializa, facto que os deixa completamente a pensar que o órgão está amarrado ao cessante presidente Artur Almeida.

Os filiados tiveram muitas dificuldades para verem aceite o pedido da realização da Assembleia- geral extraordinária, pois, por razões turvas, a mesa não atendia a solicitação.

Depois de vários questionamentos, a resposta foi deferida, mas a mesa impôs os pontos que seriam discutidos no encontro com os filiados do órgão que rege a modalidade no país. Em resposta, as associações evocaram que os estatutos da FAF, no artigo 42.º e pontos seguintes, adiantam, entre outros assuntos, que a Assembleia- geral extraordinária, quando é solicitada pelos filiados, os pontos para a discussão devem ser propostos pelos mesmos.

Volvidos alguns dias, isto é, no passado mês de Maio, a Assembleia- geral da federação respondeu favoravelmente e, porém, amanhã vão discutir o futuro de Artur Almeida, independentemente do que o TPL vai decidir.

Na magna sala do Hotel Royal Plaza, as associações levam para a mesa de discussão três pontos, sendo que o primeiro se prende com o momento menos bom da Federação Angolana de Futebol (FAF).

O segundo vai cingir-se à gestão do órgão que rege o desporto- rei no país, uma vez que anda embrulhado em “makas” no Girabola, bem como noutros sectores de natureza administrativa.

O último ponto estará ligado a eventuais questões e consequências sobre o pleito eleitoral referente ao ciclo olímpico 2020/2024.

No entanto, adivinham- se discussões renhidas entre os membros e a actual direcção ou comissão que gere a FAF. Nos últimos anos, a FAF tem sido alvo de várias críticas, aliás, esta é uma das razões que obrigou os filiados a solicitarem o encontro para analisarem o estado da modalidade no país.

Renovar na continuidade

O presidente cessante da FAF, Artur Almeida, que concorreu na lista B, teve como lema “Renovar na continuidade”, uma vez que alguns projectos do período anterior (2016/2020) não tinham sido concretizados.

Foi este o programa que conseguiu bater, nas urnas, os seus oponentes, mas as irregularidades observadas emperraram o processo. Durante o seu mandato, Artur Almeida teve altos e baixos.

Com as selecções jovens, conquistou medalhas nas competições africanas e apurou a Selecção sub-17 para o Mundial do Brasil, tendo conseguido chegar à outra fase com a geração de Capita, Zito Luvumbu e outros.

No que concerne à sua gestão, muitos filiados contestaram e esperam que alguma coisa mude com ou sem ele na FAF, porque o futebol é de todos os angolanos de Cabinda ao Cunene.

Ainda no seu primeiro mandato, Artur Almeida recebeu Gianni Infantini, presidente da FIFA, que visitou o Campo do São Paulo, em Luanda, que, com patrocínio daquele órgão, viria a desenvolver- se um centro de treinos para as selecções.

Mas, até aqui, não se vê qualquer mudança no espaço onde já desfilaram craques do futebol angolano. No período de pico da Covid-19, a FAF também recebeu da FIFA e da CAF uma verba para apoiar os clubes.