Igreja Tocoísta anuncia apoiar Governo na implementação da CIVICOP

A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo(INSJCM), Os Tocoistas, se manifestou disposta em apoiar moral e incondicionalmente o Governo na implementação, e conclusão dos planos da Comissão de Reconciliação em Memória às Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP)

A ideia foi manifestada Sábado, 19, na cidade do Uíge, pelo seu bispo, Dom Afonso Nunes, quando fazia o balanço de visita de 24 horas a esta província, que o levou à comuna de Dimuca, município de Negage, onde presidiu a um culto de acção de graças que serviu para a aceitação do perdão às vítimas dos conflitos políticos, feito pelo Presidente da República, João Lourenço.

Nesta circunscrição, localizada no Planalto de Camabatela, estão enterrados 18 fiéis tocoístas numa vala comum, incluindo uma criança de 8 anos, mortos no dia 27 de Maio de 1977.

O acto de aceitação do perdão foi testemunhado por familiares das vítimas, pela comunidade local e por membros do Governo da Província do Uíge.

“Vamos prestar o nosso total apoio ao Governo do Presidente da República, João Lourenço”, afirmou, cujo processo iniciado no dia 27 do mês passado, permitiu já a entrega de certidões de óbito a alguns familiares das vítimas da intentona golpista de 27 de Maio de 1977.

Paralelamente ao caso 27 de Maio, a CIVICOP deu também um passo importante neste processo, com a recolha de amostras para exames de DNA aos familiares de membros da UNITA falecidos em Luanda no conflito pós- eleitoral de 1992.

Trata-se de Jeremias Chitunda (vice-presidente), Adolosi Mango Alicerces (secretário-geral), Elias Salupeto Pena (representante na Comissão Conjunta Político Militar (CPPM) e Eliseu Chimbili (Coordenador em Luanda).

O apoio ao Governo, segundo o prelado, que falava à imprensa, será o de sensibilizar a sociedade para a aceitação do perdão expresso pelo Chefe de Estado no dia 27 de Maio do ano em curso a milhares de familiares das vítimas daquele sangrento conflito decorrido há 44 anos.

Dom Afonso Nunes afirmou que o gesto do Presidente da República é a construção de uma ponte para a reconciliação nacional, no que concerne a este processo, e visa enxugar as lágrimas de muitas famílias de homens e mulheres assassinados barbaramente.

O líder tocoísta sublinhou ser importante que a sociedade aceite o pedido de desculpas públicas, reiterando ser um acto de nobreza e que deve ser abraçado por todos os angolanos, sem olhar a cor partidária, raça ou credo religioso.

Dom Afonso Nunes acredita que este gesto, apesar de levar muito tempo para ser concretizado, vai ajudar a aproximar também as famílias desavindas por divergências ideológicas, decorrentes dos conflitos políticos de 1975 a 2002.

Tocoistas assassinados

No caso particular da igreja que lidera, lamentou a morte de centenas de homens e mulheres assassinados no dia 27 de Maio em várias localidade do país, por razões que disse que poderiam ser evitadas pelos protagonistas.

Além desta província, segundo a fonte, um pouco em todo o país, com realce no litoral e leste muitos seguidores do profeta e nacionalista Simão Toco, fundador desta igreja, tiveram o mesmo destino que os que jazem em valas comuns no Uíge.

Entretanto, para honrar a memória destes filhos e filhas da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, serão erguidos monumentos em todo o país que também servirão de locais de romagem no dia 27 de Maio de cada ano.