Projecto “Tuxike Odikanza” valoriza composições musicais em Línguas Nacionais

Projecto “Tuxike Odikanza” valoriza composições musicais em Línguas Nacionais

A apreciação das Línguas Nacionais neste projecto, que visa massificar e dinamizar o uso do instrumento de percussão nacional, a Dikanza, tem como objectivo, a par da questão melódica, ter-se atenção aos conteúdos das canções, de modo a influenciar na valorização da cultura angolana

As várias composições artísticas cantadas em Línguas Nacionais são valorizadas no projecto “Tuxike Odikanza”, lançado em Janeiro do presente ano pelo Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, com objectivo de massificar e valorizar a Dikanza, em Luanda.

Este plano, que conta ainda com a parceria de vários percussionistas como Jorge Mulumba e Lito Graça, está a ser implementado em vários espaços na cidade capital, onde, durante a realização de aulas para o manuseamento da Dikanza, as canções serão em Línguas Nacionais.

O director-geral do Instituto de Línguas Nacionais, José Pedro, realçou que esta iniciativa tem em consideração as composições cantadas nestes moldes, como incentivo para a valorização e o estudo das línguas nacionais.

Por esse facto considera que a Música Popular Angolana (MPA), que tem uma grande percentagem de canções cantadas em línguas nacionais, mais de 90 por cento, além do lado melódico será prestada mais atenção aos conteúdos.

“Geralmente valoriza-se mais o lado melódico e nunca a própria composição, facto que influência na não valorização da cultura angolana, da sua própria matriz. As nossas línguas nacionais constituem factor de identidade cultural. Por isso, pretendemos transmitir, principalmente, às crianças para que comecem a ter o hábito de cultivar as nossas línguas nacionais”, considerou.

Melodia e Línguas Nacionais

Para José Pedro, esta iniciativa do projecto constitui o resgate de uma boa parte da nossa cultura, com o ensino do manuseamento da Dikanza, que durante a realização das aulas vai permitir que se olhe também à música nos dois aspectos: o melódico e a própria língua que veicula a mensagem.

O linguista lamentou o facto de, muitas vezes, os jovens, por exemplo, retomarem temas musicais de outros compositores, mas que não seguem as letras na sua essência. Razão pela qual pretendem ensinar os termos correctos, conforme mandam as regras das línguas.

“As pessoas que cantam, muitas vezes, não têm o conhecimento do funcionamento destas línguas. Mesmo coisas básicas, como distinguir o plural do singular. Quer dizer, cantam da forma como lhes apetece. E aí está a nossa maior preocupação. Temos de ter a preocupação de saber que tipo de mensagem a música transmite”, aconselhou.

Expansão do projecto

A par das aulas realizadas em vários espaços, a Fundação Arte e Cultura foi a primeira, com espaço físico, a acolher o projecto, em acto ocorrido recentemente, assinalado com a realização de um workshop de Dikanza, dando espaço à lição de línguas nacionais.

Manuseamento do instrumento

Para melhor compreensão do instrumento musical, Jorge Mulumba e Lito Graça abordaram sobre a utilidade do utensílio, de modo a desmistificar e desconstruir, para assim poderem massificar o seu manuseamento.

Jorge Mulumba avançou que terão ainda um espaço físico para a realização de aulas no município de Viana, no Palácio de Ferro e no Museu Nacional de Antropologia, este último, onde o projecto foi lançado em Janeiro.

“Estamos a fazer acontecer, sempre que possível, o envolvimento da Dikanza nas comunidades e no centro da cidade. Queremos primeiro disseminar em Luanda, para depois irmos nas demais províncias do país. Mas agora é por aqui, em Luanda. O interesse maior reside em tocar o próprio instrumento, perceber as técnicas de instrução da peça”, augurou. Por sua vez, Lito Graça realçou que com este instrumento musical deixado pelos nossos ancestrais, principalmente por José Pontes Pereira e Euclides Pontes Perreia, dois irmãos que fizeram parte dos grupos Os Ngongos, Fogo Negro e também do Ngola Ritmos, podemos dar continuidade através do ensinamento aos jovens e às crianças.

“Este belíssimo instrumento, dos nossos ancestrais, que antes ouvíamos nas músicas, mas não tínhamos o contacto directo, através dos estudos deixados pelos kotas, hoje é possível a sua disseminação”, apontou.