Vestígios sobre o antigo Reino do Congo ilustrados Sábado na Mediateca de Luanda

Vestígios sobre o antigo Reino do Congo ilustrados Sábado na Mediateca de Luanda

Os vários aspectos relacionados com o antigo Reino do Congo serão ilustrados na película intitulada “Reino do Kongo: em busca da reino destruído”, do realizador Ne Kunda Nlaba, produzido entre 2017 e 2019, que estreia no Sábado, às 16 horas, no auditório da Mediateca de Luanda

O documentário, com 140 minutos, aborda os vários aspectos relacionados com este antigo Estado pré-colonial africano, cuja capital era a cidade de Mbanza Congo, desde a sua génese, a constituição económica, o sistema politico que vigorava naquela altura até à sua destruição.

O director do documentário, Nelson Teixeira, em conversa com este jornal, avançou que o declínio do Reino começou em Maio de 1491, quando o Rei Nzinga Nkuwu foi forçado a aceitar o cristianismo e abandonar a sua espiritualidade e cultura, com a chegada dos portugueses e dos missionários católicos.

O também responsável pelas relações públicas do projecto sublinhou que o declínio deste Reino aconteceu na Batalha do Mbwila, no território que hoje é conhecido como a província do Uíge, em 1665, entre a luta do povo local com os portugueses, onde foi assassinado o Rei Vita Nkanga António, tendo, depois, ocorrido a conferência sobre o Kongo em Berlim, em 1885.

“Neste Reino havia uma moeda, havia artefactos, os artistas. Havia tudo isso e era extremamente organizado. Era muito desenvolvido, mesmo antes da chegada dos europeus. Tudo isso foi destruído devido à ganância deles. Neste documentário, fui à procura destes vestígios e lá me encontrei com algumas pessoas que deram o seu parecer sobre o assunto”, salientou

Neste segmento, Nelson Teixeira adiantou que o filme aborda ainda as primeiras migrações ocorridas, assim como os povos que imigraram em diferentes partes do mundo. O responsável, que também participa no documentário, referiu que nele se encontra com várias entidades, como as autoridades tradicionais, os vigilantes dos museus e os cidadãos que protegem o cemitério dos Reis do Congo.

Interacção com o público

Após a sua exibição, será realizado um momento de interacção com o público presente que, além de perguntas, a fim de obterem respostas, poderão dar algumas sugestões sobre o trabalho apresentado. Por ser um filme que retrata os vários aspectos históricos desta região do país, a sua apreciação é aconselhável aos cidadãos no geral, uma vez que contam lições que podem ser retiradas por eles.

Exibição nas salas de cinema

O realizador Ne Kunda Nlaba, expectante com a estreia do trabalho, realçou que pretende que o filme seja ainda exibido nas várias salas de cinema do país, isso após a sua reabertura, em função da situação epidemiológica no país, em consequência da pandemia da Covid- 19. Disse também que almeja a sua exibição no Festival Internacional da Cultura e das Artes Kongo (Festikongo), edição 2021, que decorrerá no princípio de Julho, mas que as solicitações feitas para o feito, até ao momento, não foram correspondidas.

“Já fizemos solicitações para o feito, mas há uma morosidade na correspondência por porte das autoridades locais. Mandamos algumas cartas porque queríamos exibir lá, mas, até agora, não tivemos nenhuma resposta. Continuamos à espera, mas estamos um pouco desiludidos com essa falta de correspondência. O que mais nos deixou tristes é o simples facto de saber que eles estão a organizar essa actividade e, mesmo com este magnífico projecto, deixaram-nos de fora”, deplorou.