Junta militar apela à calma e defende fim dos actos de vandalismo no Níger

A junta militar nigerina que tomou o poder na quarta-feira fez hoje um apelo à calma e recomendou à população que se abstenha de realizar actos de vandalismo, depois das manifestações violentas registadas na capital, Niamey.

O Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP) apela à população para ficar calma e abster-se de todos “os actos de vandalismo que destruam bens públicos e ou privados”, lê-se num comunicado citado hoje pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

De acordo com o texto, lido pelo coronel Amadou Abdramane, em nome da junta no poder, “constatou-se que houve comportamentos que afectam a integridade física de pessoas e dos seus bens através de manifestações”.

Noutro comunicado, difundido hoje pela junta militar, informa-se que “os partidos políticos estão suspensos até nova ordem”.

No terceiro dos seis comunicados emitidos desde quarta-feira, a CNSP acusa a França de ter feito aterrar um avião de transporte militar de tipo Airbus A400M no aeroporto internacional de Niamey apesar do fecho de fronteiras decretado pelos militares.

O apelo à calma surge depois de várias pessoas terem ficado feridas durante um protesto a favor dos golpistas, no qual os manifestantes invadiram a sede do partido do Presidente e queimaram cerca de 20 veículos.

Os parceiros do Níger, incluindo os Estados Unidos, a França e a ONU, condenaram o golpe de Estado que derrubou o Presidente democraticamente eleito Mohamed Bazoum, no poder desde 2021.

Mohamed Bazoum continuava hoje refém com a sua família na sua residência oficial em Niamey, mas está de boa saúde, de acordo com as pessoas que lhe são próximas.

A Rússia, que acolhe actualmente a segunda cimeira Rússia-África, apelou à sua “rápida libertação”, pedindo a ambas as partes que “se abstenham do uso da força e resolvam todas as questões controversas através de um diálogo pacífico e construtivo”.