ONU quer “investigação imparcial” ao ataque que matou 85 civis na Nigéria

ONU quer “investigação imparcial” ao ataque que matou 85 civis na Nigéria

As Nações Unidas apelaram, ontem, a uma investigação exaustiva e imparcial ao ataque com drone efectuado pelo exército nigeriano, no Domingo, que, alegadamente por engano, matou, pelo menos, 85 aldeões que celebravam uma festa muçulmana.

O gabinete do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos deplorou, ontem, o ataque aéreo no Estado de Kaduna, no Norte da Nigéria, no Domingo, “que terá causado a morte de pelo menos 80 civis e mais de 60 feridos o último de, pelo menos, quatro ataques aéreos que resultaram em mortes significativas de civis desde 2017”.

As autoridades nigerianas indicaram, na Terça-feira, que o número de mortos ascendeu a 85 e o de feridos a 66, mas o escritório da Amnistia Internacional na Nigéria afirmou que 120 pessoas foram mortas no ataque, citando relatos dos seus trabalhadores e voluntários na área.

“Embora tenhamos registado que as autoridades classificaram as mortes de civis como acidentais, exortámo-las a tomar todas as medidas possíveis no futuro para garantir que os civis e as infra-estruturas civis sejam protegidos em conformidade com as obrigações de direito internacional da Nigéria”, segundo uma declaração do porta-voz da agência das Nações Unidas, Seif Magango.

O gabinete exortou ainda as autoridades nigerianas a “rever as regras de empenhamento e os procedimentos operacionais normalizados para garantir que tais incidentes não se repitam”.

“Estamos particularmente alarmados com os relatos de que o ataque se baseou no “padrão de actividades” dos que se encontravam no local, que foi analisado e interpretado de forma errada”, afirma-se na declaração, sublinhando-se as “sérias preocupações” das Nações Unidas com a conformidade deste tipo de ataques com a lei internacional.

Em Janeiro deste ano, recorda o gabinete, pelo menos 39 civis foram mortos num ataque aéreo à aldeia de Rukubi, no Estado de Nasarawa, no centro do país, e pelo menos 64 civis foram mortos quando a força aérea atacou uma aldeia no Estado de Zamfara, no Noroeste do país, em Dezembro de 2022.

Em Setembro de 2021, ainda segundo a declaração divulgada, ontem, pelo menos nove pessoas morreram na sequência de um ataque aéreo à aldeia de Buwari, no Estado de Yobe, três das quais crianças; e em Janeiro de 2017, um jacto da força aérea bombardeou a aldeia de Rann, no Estado de Borno, fazendo 115 mortos e mais de 100 feridos.

As forças armadas nigerianas recorrem, frequentemente, a ataques aéreos na sua luta contra as milícias que operam no Noroeste e Nordeste do país, onde grupos de bandidos e de extremistas islâmicos combatem o Estado nigeriano há mais de uma década.

Este conflito causou já a morte de mais de 40 mil pessoas e dois milhões de deslocados desde 2009.

Na sequência deste último ataque particularmente mortífero, o exército nigeriano afirmou que a operação aérea visava “terroristas” acampados no Estado nigeriano de Kaduna, mas as forças armadas atacaram “acidentalmente” a cidade de Tudun Biri, de acordo com um comunicado do gabinete regional da Agência Nacional de Gestão de Emergências.