Aqui não

Aqui não

Em boa parte do mundo foi celebrado, ontem, o Dia Mundial do Animal. Há quem estreite para Dia do Animal de Quinta, ou fazenda. É uma celebração mundial que por cá não faz eco. Aliás, apesar de termos ecologistas, não se conhece, pelo menos com alguma expressão, uma associação de defesa dos direitos dos animais. A ética com que se deve lidar com os animais é coisa que por cá não se ensina. Animal é bicho e ponto final. O mais normal é vermos crianças a apedrejar gatos e cachorros, ou macacos. O mais normal é vermos, pelas estradas nacionais, animais a serem transportados da forma mais “desumanizada” que se pode imaginar. Bois amarrados, retorcidos na carroçaria de uma pequena carrinha durante horas, ao sol, sem água, sem se poder mover, e aguentando todos os solavancos e saltos da viagem. A ideia comum é de que animal não tem direitos, não tem alma, não sente dor, pode ser tratado de forma cruel. Quem preste atenção a pequenas coisas, porém, pode reparar que culturalmente não somos assim, que há na tradição uma outra forma de lidar com os animais, com a natureza. Veja- se os rituais dos San quando abatem um animal, são muito semelhantes aos dos povos do Norte da Suécia, os Sami. É preciso respeitar o animal, o alimento. E agradecer. A forma como tratamos os animais, de resto, diz muito da forma como tratamos os seres humanos. Tenho muita pena que ao longo do dia de ontem não tenha recebido sinais de que a sociedade tenha começado a olhar, ao menos num dia especial, para os direitos dos animais. Aqui não.