É de hoje…A investidura de João Lourenço

É de hoje…A investidura de João Lourenço

É hoje. João Lourenço toma posse, pela segunda vez, como Presidente da República de Angola, para um mandato de mais cinco anos, depois de ter sido dado como vencedor do pleito de 24 de Agosto deste ano pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE). Uma decisão sentenciada, posteriormente, pelo Tribunal Constitucional, órgão que chumbou dois recursos apresentados pelo maior partido da oposição, a UNITA, e a então terceira força política, CASA- CE.

É hoje também que, embora a figura central da cerimónia de investidura seja o Presidente eleito, no caso João Lourenço, a presença da sua coadjutora, a vicepresidente da República, Esperança Costa, também não passará despercebida. Depois das passagens nestas funções de Fernando da Piedade Dias dos Santos, Manuel Vicente e Bornito de Sousa, a história deverá registar a inclusão, pela primeira vez, desta académica, ligada ao MPLA, cuja vida esteve sempre associada ao mundo académico e investigativo científico. Com uma assistência a rondar os mais de 15 mil convidados, entre nacionais e estrangeiros, além dos juramentos, aguarda-se com enormes expectativas o que virá a ser dito, sobretudo pelo Presidente da República.

Quase um mês depois da realização das eleições que o levam a um segundo mandato, há entre os angolanos uma espécie de suspense quanto ao que nos reserva este período entre 2022 e 2027.

Cinco anos depois, João Lourenço conhece muito bem os meandros que norteavam o Palácio da Cidade Alta e os seus inquilinos. Certamente, está hoje mais munido de maiores informações e condições para fazer desta nova oportunidade melhor do que o anterior, procurando satisfazer os interesses daqueles que ainda estão reticentes com a sua presença no mais alto posto que existe no país, como cimentar a confiança da maioria que pintou o dedo, colocando a cruz no espaço reservado ao partido que também dirige.

À semelhança do que ocorreu há cinco anos, hoje também se deve devolver aos angolanos a réstia de esperança que se acendeu em 2017, mas que devido às enormes contingências políticas, económicas e sociais acabou por perder a força.

É inegável o contributo negativo que a pandemia da Covid-19 teve para a não implementação de inúmeros projectos e o agravamento das condições de vida dos angolanos. Aliás, em todo o mundo, segundo dados oficiais das Nações Unidas, houve quase que um recuo de cinco anos em muitos domínios, o que fez também abrandar os principais indicadores de desenvolvimento económico.

Ultrapassados alguns destes constrangimentos, existirão condições plausíveis para que se restaure a confiança dos cidadãos, com particular destaque para os jovens, que hoje compõe a maior franja de habitantes do país. E o ponto de partida estará na escolha dos eleitos para se tornarem os porta-vozes e executores das políticas traçadas para os próximos cincos.

Um óptimo resultado para o MPLA nas eleições de 2027, ou nas autárquicas que deverão acontecer assim que a legislação estiver terminada, dependerão dos bons passos que forem dados a partir desta cerimónia de investidura. E uma mensagem de esperança, que acalente os corações inconformados, seria um bom ponto de partida.