É de hoje… Domingo vermelho

O anúncio de ontem do secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufi nda, quase que acende o piloto vermelho e começa já a colocar o país numa situação preocupante.

Contrariamente à tendência que se observava na semana anterior, em que os números oscilaram entre os 100 e 200 e tal casos, este Domingo, pela primeira vez, ultrapassou os 300, atingindo assim o mais novo recorde desde os primeiros casos observados no país.

Como frisou o secretário Mufinda, as taxas de positividade e de letalidade estão em 6.5 para o primeiro e 2.8 para o segundo. No primeiro, trata-se de uma percentagem elevada se tivermos em conta o que se passa noutros países da nossa região, entre os quais alguns com uma população superior à nossa. Já na letalidade as autoridades falam numa melhoria, o que é bom tendo em conta os sinais negativos em relação ao contágio.

Por mais que se contestem as medidas tomadas pelo Executivo no Sábado, rompendo com outra que só terminaria nos próximos dias, os sinais que nos vão sendo dados podem ser considerados como de alerta vermelho.

Tendo em conta os números publicados nos últimos 15 dias, sabendo-se que 30 por cento dos casos ocorridos no país tiveram lugar nesta fase, as autoridades sanitárias prevêem que o nosso sistema de saúde possa colapsar e afectar o internamento dos casos graves e críticos.

Com uma maior incidência de casos em Luanda, onde por sinal surgiram os que depois se espelharam para outras partes do país, o número de doentes graves e críticos aumentam consideravelmente, sendo que 86.9 por cento dos casos positivos estão aqui localizados.

Infelizmente, enquanto aumenta o número de pessoas que padecem da doença, assiste-se também mais sinais de indiferença por parte dos cidadãos. As últimas imagens que nos foram dadas a ver pelas cadeias de televisão continuam a mostrar festas e outros ajuntamentos que em nada ajudam a retrair a expansão da doença.

Qualquer um deles que venha a adoecer, por indiferença ou não, terá um único destino: os mesmos centros hospitalares especializados que nesta fase se encontram quase abarrotados. Caso não encontrem um lugar vago, certamente que irão apontar o dedo às autoridades sanitárias, mas nunca terão na consciência que não estariam aí se não colocassem as suas próprias vidas em risco.