É de hoje…Ficha limpa para nós

É de hoje…Ficha limpa para nós

Noves fora o contencioso ainda existente no Tribunal Constitucional, apesar do chumbo ao pedido de impugnação feito pelo maior partido da oposição, a UNITA, os resultados aprovados pela Comissão NacionaL Eleitoral dando vitória ao MPLA, nas eleições de 24 de Agosto, podem servir de sinais para diversas alterações no xadrez político angolano.

Durante o primeiro mandato do Presidente João Lourenço, um dos maiores trunfos foi, sem dúvidas, o combate à corrupção. Dizia a dado momento o seu antecessor, José Eduardo dos Santos, que a corrupção era o segundo mal depois da guerra.

Era imperioso que num determinado momento da nossa vida política se avançasse de facto para esta acção, o que ocorreu graças à coragem do actual líder do MPLA, embora os resultados desta odisseia tenham causado fricções e mal-estar no seio da organização e de outros sectores.

Não obstante os resultados, muitos não se sentiram felizes. O que é normal. Houve, entretanto, aqueles que se manifestaram contra porque insistentemente foram dizendo que outros acusados de prática de corrupção passeavam-se em todos os lugares livremente, incluindo até nas cercanias do poder. É esta a tese que os supostos perseguidos vão vendendo no sentido de não só descredibilizarem o processo, mas levar aos cidadãos à ideia de que estaremos perante um suposto acerto de contas a nível da própria ‘Grande Família’, esquecendo-se de que estamos perante um dilema que há muito vem comprometendo o futuro do país.

Nos dias que correm, embora tenha diminuído o ímpeto, a corrupção continua a ser um mal. Ao longo do primeiro consulado do Presidente João Lourenço não deixaram de surgir informações sobre negociatas e o suposto envolvimento de entidades públicas noutros casos que poderiam ou terão mesmo minado os passos positivos dados para se travar este mal. Aliados a estes que não conseguem se desfazer dos prazeres da corrupção, existem também aqueles cujo envolvimento em negociatas no passado acabam por minar a confiança interna e até mesmo externa.

Mais do que quadros que venham a dar mais dinamismo às acções do Executivo, é necessário que também se olhe para os benefícios que cada um deles pode ou não oferecer ao novo elenco, aos objectivos nacionais e a aceitação dos populares em relação ao futuro.

Não seria nenhum sacrilégio se aos manchados com os vícios do passado introduzíssemos o mesmo que os nossos irmãos brasileiros fizeram com a famosa Lei da Ficha Limpa. Criada a partir da iniciativa popular, a norma cristalizou o anseio da sociedade de ver afastados da vida pública os políticos que comprovadamente não cumpriram as normas que regem o país.

Não seria de todo errado se muitos dos dirigentes envolvidos em escândalos ou que comprovadamente tenham mexido ou prejudicado os interesses nacionais fossem colocados de parte e se integrassem outros que possam restaurar a esperança às populações, sobretudo aos mais jovens.