É de hoje…O curso que falta: patriotismo

É de hoje…O curso que falta: patriotismo

Aprender continua a ser uma das coisas mais apaixonantes na vida de qualquer homem. À medida que crescemos, com a idade aumentando sem qualquer possibilidade de retorno, surgem sempre equívocos e a necessidade imensurável de aumentarmos o nosso conhecimento.

E, nos últimos tempos, a oferta tem sido vasta. Um simples olhar nos anúncios colocados à disposição dá para perceber que existem sugestões para todos os gostos. Desde os cursos ou formações informais, proporcionadas por instituições de ensino formais, assim como outras ofertas que nos chegam por meio dos gurus dos novos tempos, entre os quais os coachs e influencers.

Como se tornar milionário? Ter prosperidade nos negócios, transformar os únicos 10 mil kwanzas que tem no bolso em milhões, as regras para manter um casamento feliz e não espumar ou até mesmo palestras sobre como se tornar um agarrado surgem publicitados e arrastam multidões nos sítios em que são realizados. São vários os tipos de cursos ou formações. Inúmeros mesmo, alguns deles autênticas piadas se tivermos que ser sérios, porque em situações normais, numa sociedade não adoentada, nunca iriam conquistar o leque de seguidores ou público que vimos encher determinados salões ou até por serem ministrados por indivíduos sem qual- quer experiência comprovada daquilo que pretendem transmitir.

Algumas vezes rio. Não pode ser diferente. Ainda assim, não condeno quem frequente. Cada um saberá do seu caminho, esperando que atinjam o esperado, embora se saiba que os resultados nunca serão os esperados. Mas, todos os dias, sempre que olho para qual- quer anúncio, pergunto-me: para quando uma formação em patriotismo ou qualquer outro acto que pudesse elevar verdadeiramente a consciência angolana e, sobretudo, o amor pelo país.

Por mais difícil que se possa parecer, nos últimos tempos, esse sentimento de pertença e de construção de um país por todos vai esvanecendo. Perde-se, inclusive, a obrigação de proteger o que é de todos, supostamente por alguma divergência com quem dirija ou mesmo por algum outro responsável de qualquer edilidade com quem não se concorde ou se tenha votado.

Há dias em que, apesar das críticas que muitos possam apresentar, o melhor mesmo é que se busque e se traga de volta o resgaste dos valores cívicos e morais por serem muito mais importantes nesta fase. A falta de amor ao país e aos seus feitos vai-se tornando algo patológico em muitos, como se aquilo que é apresentado como benefício para o colectivo não os vai atingir também de forma directa ou indirecta.