É de hoje…Preço da arrogância

É de hoje…Preço da arrogância

As últimas informações que nos chegam do Brasil não são as mais animadoras. A Covid-19, um ano depois, acaba por deixar de rastos o país irmão, quase colapsando o sistema de saúde com a inexistência de leitos em quase todo o território.

A existência de uma liderança populista, encarnada no Presidente Jair Bolsonaro, terá contribuído substancialmente para que o país atingisse esta semana 300 mil mortos vítimas da pandemia.

Esta semana, um estudo de uma universidade brasileira assegura que, apesar do infortúnio que se vive no país, ainda não se atingiu o pico. Prevê-se que entre os meses de Abril e Maio possam morrer diariamente cinco mil pessoas.

O preço da arrogância do líder fez com que se menosprezasse normas de segurança, olhasse para as vacinas como produtos que não iriam ajudar e os confinamentos, os chamados ‘lockdowns’, como medidas impopulares.

A situação no Brasil hoje é fruto da arrogância de alguns líderes locais, com Bolsonaro na dianteira. Felizmente, alguns governadores travaram este ímpeto e tentam alterar o paradigma, num momento em que o Senado teve de apelar às organizações internacionais e países vizinhos para que intercedam.

Ontem chegaram ao país mais 200 mil doses da vacina. Estamos lembrados de que recentemente um grupo de indivíduos punham em xeque a eficácia da AstraZeneca, do mesmo modo que inicialmente se criticava as acções que estavam a ser desenvolvidas pelo Executivo.

Habituados a lermos e a escutarmos as piores coisas sobre o país, assim como dos seus dirigentes, Angola continua a receber aplausos por parte de instituições internacionais e de cidadãos anónimos até pela forma como está a desenvolver a campanha de vacinação contra a Covid-19.

Ainda existem muitos cidadãos que olham para a vacina com alguma desconfiança, muito por conta das apreciações, algumas irresponsáveis que foram sendo difundidas por figuras das quais se esperava uma outra postura.

Os últimos dados apontam para uma segunda ou terceira vaga também em África. Mas que pode ser travada com as habituais medidas de prevenção, assim como campanhas de sensibilização em que todos devem estar mobilizados, independentemente das cores partidárias, credo e raça.

Angola acertou desde cedo quando fechou as fronteiras, reduziu o pessoal nos locais de trabalho, encerrou temporariamente mercados, igrejas e outras instituições. Apenas agora os outros países, incluindo até os mais desenvolvidos, pretendem fazer o mesmo. Nunca é tarde. Para nós, o importante é que se preserve os ganhos obtidos até ao momento. Uma pesquisa sobre o que se está a passar no Brasil ajudará muitos dos nossos a mudarem de opinião.