É de hoje…Sinais

Os últimos dias têm sido difíceis. Não há como dizer o contrário, mas Isaías Samakuva foi à Cidade Alta por causa dos incidentes que se verificaram entre as forças políticas, isto é, UNITA e o MPLA.

O ex-líder da UNITA, Isaías Samakuva, defendeu, Segunda-feira, o diálogo entre o Governo e as formações políticas, para evitar “situações susceptíveis de perturbar a paz e a harmonia necessárias à vida em comunidade”.

Recebido na cidade alta, Isaías Samakuva afirmou, à saída da audiência, que o encontro serviu para abordar, essencialmente, a situação ocorrida, em Luanda, no passado Sábado. Só quem conhece Samakuva saberá o que diz. Por mais que se discorde da sua posição, o antigo líder da UNITA sempre foi um homem de consensos.

Há dias, um grupo de cidadãos incentivados por activistas da sociedade civil e membros do partido UNITA, protestou contra a não indicação de uma data para as eleições autárquicas e a falta de emprego, assim como por melhores condições sociais, segundo informações avançadas pela imprensa. A manifestação foi frustrada pela Polícia Nacional, numa altura em que o país vê reforçadas as medidas restritivas para a prevenção e combate à Covid-19, que proíbe ajuntamentos superiores a cinco pessoas, na via pública.

Segundo a Angop, que noticiou parte da conversa que houve entre os políticos, Samakuva, que na década de 90 chefiou a equipa da UNITA às negociações de paz com o Governo angolano, terá notado que a acção dos manifestantes se traduziu em actos de vandalismo, na obstrução de vias e destruição de bens públicos. É o que diz a Angop, talvez não o mesmo que pense o político, sobretudo nesta fase. “Enquanto angolanos, temos de fazer tudo no sentido de evitar situações desagradáveis primando, necessariamente, pelo diálogo”, disse o político que liderou o maior partido na oposição em Angola durante 16 anos.

Mesmo que não se queira, os acontecimentos de anteontem têm várias nuances. Só assim se percebe que, na sequência da tentativa de manifestação, a Polícia Nacional deteve vários cidadãos, entre os quais alguns responsáveis do partido UNITA, mesmo se sabendo que não é pecado sair à rua. Quem teve acesso às informações postas à disposição dos políticos, saberá que o político entende que deve haver um esclarecimento sobre o ocorrido e aconselhou a libertação dos detidos “na base do diálogo e da compreensão”.

Mesmo que não se concorde com o deputado David Mendes considerou um “erro estratégico” a participação da segunda maior força política no país no acto de Sábado, algo que Isaías Samakuva disse tratar-se de uma opinião que respeita. Mesmo que não se concorde, Samakuva ainda representa os prós e os contras, de tal modo que, desde que deixou a liderança da UNITA, em Novembro de 2019, mas vai mantendo a mesma influência a nível do próprios partido.

Só assim se percebe que o Mais Velho tenha ido à Cidade Alta nesta fase. Diz-se sempre que na boca de mais velho só sai dente podre, mas nunca palavra sem sentido.