O editorial: Manifestação

O editorial: Manifestação

Mesmo sendo um direito consagrado na Constituição, a manifestação ocorrida ontem levanta no seio da sociedade um debate sobre a sua necessidade nesta fase, facilitando a aglomeração de pessoas num momento crítico de pandemia. Tendo como pano de fundo a realização das eleições autárquicas e a criação de postos de emprego, o que se sabe hoje é que o primeiro, depois de o Presidente da República ter mencionado no discurso do Estado da Nação, estará dependente da aprovação final do Pacote Legislativo Autárquico. Já a questão do emprego, embora se reivindique a concretização da promessa dos 500 mil postos de trabalho, é uma questão que estará associado à retoma da economia.

Neste momento, depois da manifestação, resta saber ainda o que pretendem aqueles que deram a cara e os que apoiaram tal iniciativa. Que o Presidente da República convoque uma eleição, enquanto não existe um quadro legal completo ou possuem, eles próprios, ideias suficientes para que neste quadro pandémico o país, em que não há consumo e muito menos investimentos, consiga retomar os níveis de empregabilidade que se assistiu ao longo dos períodos mais dourados deste país. Distante das condições sociais que possuem países do primeiro mundo, Angola vive hoje problemas de empregos como os que se assistem em países como Estados Unidos, Reino Unido, França e outros, ou ainda os mais próximos como Brasil, Portugal e aqui a vizinha África do Sul. Até a Suíça, um dos mais importantes centros financeiros do mundo, regista hoje filas de pessoas que procuram o mínimo para se alimentar, por causa das restrições que a mesma Covid-19 impôs.