Partidos precisam mais de 500 milhões de kwanzas para pagar os delegados de lista

Partidos precisam mais de 500 milhões de kwanzas para pagar os delegados de lista

Trata-se dos partidos políticos FNLA, PRS, APN e da Coligação Eleitoral CASA-CE, que alegam terem já endereçado uma carta ao Governo, solicitando ajuda financeira para pagar os delegados de lista que prestaram serviço nas últimas eleições gerais

Alguns partidos políticos continuam com dificuldades financeiras para pagar a dívida que contraíram junto dos delegados de lista que prestaram serviço nas eleições gerais de 24 de Agosto. Agora, cada formação necessita de mais de 500 milhões de kwanzas para resolver a situação.

Trata-se dos partidos políticos Aliança Patriótica Nacional (APN), Partido de Renovação Social (PRS) e Frente Nacional para Libertação de Angola (FNLA) e da Coligação Eleitoral CASA-CE , que continuam com dificuldades para pagar os delegados de lista contratados nas eleições gerais.

Os delegados de lista contratados estão a pressionar esses partidos políticos a efectuarem o devido pagamento.

O porta-voz da FNLA, Ndonda Nzinga, disse que estão em curso diligências entre os partidos e o Estado, no sentido de obterem ajuda financeira.

“Do dinheiro que os partidos políticos receberam, tinham que escolher, ou fazer campanha ou pagar os delegados de lista, porque se optassem em pagar os delegados de lista sobraria apenas 400 milhões de kwanzas, o que é insignificante para suportar uma campanha eleitoral”, disse, Ndonda Nzinga.

Os partidos políticos em causa pedem calma aos delegados de lista e prometem honrar com o compromisso.

Entretanto, depois de, na semana finda, assistir-se à onda de protestos dos delegados de lista de vários partidos políticos, que reclamam a falta de pagamento, as organizações partidárias acusam a Comissão Nacional Eleitoral de estar na base deste impasse, por falha com as suas obrigações.

No calor da confusão, que já mereceu, inclusive, o repúdio da Procuradoria-Geral da República, os partidos políticos acusam a CNE de não inscrever os seus delegados na folha de pagamentos, o que resultou nesta confusão toda.

Na semana finda, muitos partidos viram as suas sedes vandalizadas e invadidas por delegados de lista que exigiam, a todo custo, pelo pagamento, doze dias depois da realização do pleito eleitoral de 24 de Agosto, que deu vitória ao MPLA, com 51,17% dos votos, seguido da UNITA com 43,95%.

O PRS, a CASA-CE e o P-NJANGO perfilam a lista de partidos que viram as suas estruturas vandalizadas, tendo o pior não acontecido pela pronta intervenção da Polícia Nacional.

Dados a que O PAÍS apurou, cada partido teria recrutado um número acima de 300 delegados para a fiscalização do voto, em todo o país, sendo que, até ao momento, a maior parte ainda não foi paga a quantia diária de dez mil kwanzas.

Entretanto, a garantia de pagamento não está a ser cumprida por parte de alguns partidos, o que está a gerar protestos. Em alguns casos, os delegados de lista estão a concentrar-se nas instalações ou sedes dos partidos políticos, reivindicado pelo pagamento do serviço prestado.