ENDE diz que PTs privados não são para vender energia na comunidade

ENDE diz que PTs privados não são para vender energia na comunidade

O fornecimento de energia eléctrica à populações através dos conhecidos PTs privados foi considerado uma prática ilegal pela direcção da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), tendo esclarecido que esta é a única instituição no país vocacionada para o efeito

A revelação foi feita pelo administra dor executivo da ENDE, Sérgio Dindanda, que explicou que o termo PT privado surgiu por via dos requerentes que solicitam uma determinada potência de energia superior a 49,9 kVa, momento a partir do qual se deixa de ser um cliente de baixa tensão e instala- se um PT.

Porém, foi constatado, segundo este responsável, que ao longo dos anos, estes clientes que requereram um PT para alimentar uma determinada instituição, por exemplo uma grande empresa, após a sua falência, em vez de entregarem o equipamento à gestão da ENDE, passaram a vender energia às populações. Sérgio Dindanda esclareceu que, embora a ENDE saiba da ilegalidade do acto, a empresa não procede à desactivação do meio pelo facto de reconhecer a sua incapacidade para atender determinadas zonas de Luanda e do país.

O administrador contou que, das vezes que a empresa tentou cortar o fornecimento de energia por via dos PTs privados, as populações e administrações deslocam-se à ENDE para protestar. Por isso, acrescentou, enquanto não fizer chegar energia a estas zonas, permite a situação. “Não é prática dos PTs privados distribuírem energia eléctrica às populações.

O objectivo de se ter um PT privativo é, somente, atender às suas instalações, tendo em conta a potência que este solicita. Os PTs privados não são para fornecer energia a outras pessoas”, revelou, referindo que “o monopólio está com a ENDE”. “A ENDE é a única empresa vocacionada para a distribuição de energia eléctrica em todo o país”, disse.

“Temos o mapeamento de todos os PTs que vendem energia eléctrica”

O administrador executivo da ENDE adiantou que a sua instituição não está cega quanto à existência dessa actividade, cuja extinção está dependente do aumento da capacidade da empresa para acelerar a distribuição do bem. Sérgio Dindanda garantiu que a empresa nacional tem mapeado todos os PTs que estão a dedicar- se ao exercício de venda de electricidade, mas que, quando a ENDE chegar a estas comunidades, serão desactivados os equipamentos. “Nós temos o mapeamento de todos os PTs que fazem a venda de energia eléctrica, sempre que chegamos a estas zonas, solicitamos que eles desactivem”, adiantou.

Nesta altura, o responsável referiu que a empresa tem necessidade de cobrir com energia eléctrica parte dos municípios de Cacuaco, Cazenga, Viana e de Belas, começando pela zona dos Ramiros. Os esforços estão direccionados, também, para levar o bem até às zonas de Cabo Ledo, Quissama e da Barra do Kwanza, onde, apesar de já estar instalada energia eléctrica da rede pública, há a necessidade de se aumentar a taxa de electrificação. “Nessas zonas, existem PTs privados, principalmente na Zona Verde. Em Viana, no quilómetro 30, Cacuaco-Funda, ainda temos alguns PTs a comercializar energia eléctrica”, pontualizou.

ENDE nega colaboração de funcionários

O administrador executivo da empresa negou qualquer envolvimento de funcionários nesse tipos de práticas, sustentando a sua posição com o facto de estes serem desencorajados por conta das normas internas, cuja violação pode resultar em expulsão. Por outro lado, refutou ainda a tese segundo a qual existem pessoas influentes à frente desses negócios, e que dificultam o processo de instalação de energia eléctrica da rede pública.

O responsável explicou que a ENDE tem metas para atingir, e que a sua missão é a de manter a regularidade e a qualidade de fornecimento de energia eléctrica. “Não há esta questão de que estas entidades privadas impedem a ENDE de fazer chegar a energia a estas comunidades”, disse. Sérgio Dindanda referiu também que as construções desordenadas têm peso negativo no processo de distribuição, explicando que existem zonas em que precisariam apenas de seis postos, mas, tendo em conta a configuração dos próprios bairros, a ENDE tem de colocar dez postos. “Isso aumenta o custo”.