Ex-funcionário da SOGESTER diz ter sido despedido injustamente

Ex-funcionário da SOGESTER diz ter sido despedido injustamente

Um antigo funcionário da Sociedade Gestora de terminais (SOGESTER) acusa a empresa de o despedir injustamente, depois de ser arrolado num suposto furto de contentores carregados de mercadorias. o trabalhador nega a sua a participação no crime, mas a organização diz que as câmaras de vigilância provam o contrário

Seu nome é José Pascoal Mukeba. O homem que, na organização, exercia as funções de conferente de gate, assinou um contrato de trabalho por tempo indeterminado pela SOGESTER, em 2008. De acordo com o antigo funcionário, a prossecução da sua carreira foi impedida depois de ser acusado de furto, no interior da empresa, facto que deu origem a execução de uma carta de despedimento datada de 29 de Junho de 2021, e, consequentemente, o rompimento do seu vínculo contratual.

Mukeba conta que, no dia 5 de Junho de 2021, foram apanhados alguns indivíduos com documentos falsos, que conseguiram entrar nas instalações da SOGESTER e carregaram um contentor de 40 pés contendo óleo alimentar, tendo sido interpelados por um dos seus antigos colegas.

Os implicados foram detidos. O queixoso diz que foi este um dos fundamentos apresentados pela empresa como elemento bastante para o seu despedimento, mas o desempregado nega o seu envolvimento neste suposto esquema para retirada do meio, uma vez que, como afirma, encontrava-se em gozo de folga, à data dos factos. Passados 17 dias após a ocorrência, na empresa, o ex-funcionário diz que foi surpreendido por efectivos do Serviço de Investigação Criminal, no seu posto de trabalho, que o detiveram com mais quatro colegas, alegadamente, por terem participado do referido furto.

Além daquele, a detenção foi fundamentada também por terem praticado um outro furto de um contentor carregado com frangos de galinha, no dia 23 de Maio do mesmo ano. Nesta data, José Mukeba conta que esteve, de fac- to, a trabalhar, porém, afirma que não houve qualquer registo desta ocorrência. “Eu não cheguei a ver esse camião. São alegações que a empresa SOGESTER não consegue provar. Sobre este camião de frango de galinha, a empresa diz que saiu no dia em que eu trabalhei, mas, não prova. Não tem nenhum vídeo de 23 de Maio que prova.

A empresa tem mais de 150 câmaras de vigilância”, alegou. Para José Mukeba, o seu despedimento não faz qualquer sentido, uma vez que, num caso, não esteve presente à data dos factos, e, noutro, não se testemunhou qual- quer desaparecimento de contentor. Além disso, reclama, também, por ter sido o único a ser responsabilizado no processo. Desempregado, o ex-funcionário da SOGESTER encontra-se a depender de um pequeno estabelecimento comercial que montou em sua casa, enquanto o seu caso permanece em instrução preparatória na Procuradoria-Geral da República (PGR).

SOGESTER: “as câmaras e o controlo biométrico provam que estavam em serviço”

Em resposta a estas alegações, o director do Gabinete jurídico da SOGESTER, Martins Alexandre, sem gravar entrevista, garantiu ao jornal OPAÍS que as câmaras de vigilância da empresa e o controlo biométrico disponíveis na empresa provam que o antigo funcionário esteve de serviço no dia dos referidos furtos. o responsável explicou que um dos camiões não chegou a transpor para fora das portas da SOGESTER, pelo facto de um dos funcionários, que fez o mesmo trabalho que era feito, na altura, por José Mukeba, conseguir descobrir que o motorista apresentava documentos falsos, e comunicado à área competente.

Neste dia, José Mukeba encontrava-se a trabalhar no portão de entrada, enquanto o seu colega que descobriu o suposto esquema estava no portão de saída, por isso, não deu permissão para que o contentor deixasse as instalações da SOGESTER, o que levou o motorista a colocar-se em fuga. No caso em que, de facto, o contentor carregado de óleo alimentar acabou por sair, Martins Alexandre elucidou que Mukeba, que esteve a trabalhar no portão de saída, foi incapaz de identificar que os documentos apresentados a si eram falsos, permitindo, assim, a transportação da mercadoria para lugar incerto.

“As câmaras e o controlo biométrico confirmam que estavam de serviço, naquele dia. Não é apanágio da SOGESTER despedir funcionários. os trabalhadores aqui não são maltratados. Não fomos nós quem inventamos que os contentores foram roubados”, esclareceu o director do Gabinete jurídico. Martins Alexandre avançou ainda que José Mukeba não foi despedido, propriamente, por conta do furto dos contentores, mas, referiu, o despedimento foi por “falta de cumprimento dos procedimentos”, sendo que “o não cumprimento dos procedimentos é grave”.

O director do Gabinete jurídico explicou também que José Mukeba foi ouvido num acto de averiguação composto por 34 páginas, que evoluiu para um processo disciplinar de 84 páginas, nas quais constam as provas que o levaram a ser responsabilizado pela em- presa junto de mais quatro funcionários, pelas causas descriminadas.